Linda Linda Linda, do diretor Yamashita Nobuhiro, mergulha nos dias que antecedem o festival escolar, acompanhando um quarteto de garotas japonesas que se vê em apuros quando a vocalista de sua banda colegial desiste de última hora. Em uma decisão inesperada, elas recrutam Son, uma estudante coreana de intercâmbio com um japonês hesitante, para assumir os vocais. A premissa se estrutura em torno de um único objetivo: aprender e apresentar a canção “Linda Linda” da icônica banda de punk rock The Blue Hearts, em um prazo apertado.
O filme desdobra-se como um estudo observacional e terno sobre a passagem da juventude e a construção de laços. Yamashita evita artifícios dramáticos, optando por uma abordagem que prioriza os detalhes cotidianos, os silêncios, as conversas desajeitadas e os pequenos gestos que definem as amizades adolescentes. Não há grandes epifanias ou conflitos explosivos; em vez disso, o foco reside na ansiedade silenciosa de se encaixar, na busca por uma voz – literal e figurativa – e na construção de algo significativo a partir do improviso. A dificuldade de comunicação, tanto linguística quanto emocional, entre Son e as demais garotas, adiciona uma camada de delicadeza à narrativa, realçando a universalidade das emoções que a música consegue transpor.
Através de uma fotografia suave e um ritmo pausado, Yamashita Nobuhiro orquestra uma ode à imperfeição e à beleza da camaradagem juvenil. O filme não se preocupa em desvendar grandes mistérios da vida, mas em capturar a autenticidade de um período de transição, onde o futuro é uma abstração distante e o presente é tudo o que importa. A escolha de uma única música como objetivo central serve como um catalisador para a interação e o crescimento das personagens, sublinhando que, por vezes, a jornada de se preparar para algo – o esforço coletivo e as descobertas mútuas – supera a realização do evento em si. Esse processo de forjar uma identidade grupal, mesmo que temporária e para um propósito tão específico, ilustra a própria phronesis em ação, a sabedoria prática que se desenvolve na experiência de navegar o mundo com outros, onde a solução de problemas não é teórica, mas vivida.
Linda Linda Linda oferece uma imersão sincera na experiência de amadurecer, em que as inseguranças e as alegrias de ser jovem coexistem sem julgamento. É um trabalho que ressoa pela sua honestidade, transmitindo a sensação palpável dos últimos dias de uma fase, onde a melodia de uma canção se torna a trilha sonora de memórias que, ainda que efêmeras, se fixam com uma doçura peculiar.




Deixe uma resposta