Em um Tóquio hiper-saturado, onde as cores gritam mais alto que os personagens, o filme de Gen Sekiguchi se desenrola como um mosaico de narrativas fragmentadas que colidem com a precisão de um acidente de trânsito coreografado. Acompanhamos um homem, Tadanobu Asano em seu estado mais impassível, que tenta assassinar a esposa de todas as formas criativas possíveis, apenas para vê-la retornar dos mortos, cada vez mais irritada e com novas ideias de decoração. Em outro canto da cidade, uma publicitária genial, interpretada por Kyôko Koizumi, encontra inspiração para comerciais absurdos em momentos de epifania violenta. Um trio de ladrões desajustados executa assaltos mal planejados, prejudicados por uma barreira linguística interna, enquanto uma família suburbana vive uma existência bizarramente performática, como se estivessem presos em um comercial de margarina que deu errado.
Estas linhas de vida, aparentemente paralelas, são periodicamente interceptadas por um matador de aluguel britânico, um Vinnie Jones monolítico, cuja única preocupação antes de executar um trabalho é fazer a pergunta: “Qual é a sua função?”. Essa questão, repetida como um mantra macabro, serve como o eixo existencial que perfura a comédia e o caos. Não é uma busca por significado profundo, mas uma demanda funcional, quase industrial, por propósito em um mundo que parece ter sido montado a partir de um catálogo de design pós-moderno. A obra de Sekiguchi, um diretor vindo do mundo da publicidade, utiliza a própria linguagem visual do consumismo para construir um universo onde a superfície é tudo e o estilo é a única forma de sobrevivência.
A estética do filme é sua própria substância. A direção de arte deliberadamente artificial, com cenários que parecem saídos de uma casa de bonecas sob efeito de alucinógenos, e a paleta de cores vibrantes não são meros adornos. Elas constroem um ambiente onde a lógica convencional se dissolve, permitindo que a violência se torne cômica e o drama doméstico assuma proporções de um desenho animado ultraviolento. A montagem ágil costura as tramas, criando um ritmo sincopado que espelha a natureza anárquica dos acontecimentos. A fusão de comédia de humor negro, thriller e melodrama não resulta em um pastiche sem rumo, mas em uma linguagem coesa e singular, que encontra sua harmonia no excesso e na dissonância.
Survive Style 5+ funciona como um estudo sobre a persistência em meio ao absurdo fabricado. As figuras que habitam este universo operam sob uma lógica interna peculiar, desvinculada de bússolas morais convencionais, movidas por desejos simples e imediatos: matar, criar, roubar, ou simplesmente existir dentro do roteiro que lhes foi dado. O resultado é um clássico cult que permanece relevante não por suas respostas, mas pela forma como articula suas perguntas através de uma explosão de som e cor. É uma peça de cinema pop que usa sua energia vibrante para explorar o vazio que pode existir por baixo de uma superfície perfeitamente estilizada, sugerindo que, talvez, a única função seja continuar o show.




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