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Filme: “Deadpool” (2016), Tim Miller

Wade Wilson, um mercenário falastrão com um senso de humor peculiar e um histórico de relacionamentos questionáveis, descobre que tem câncer. Sem alternativas convencionais e com o futuro nublado, ele se submete a um programa experimental que promete curá-lo e, de quebra, conceder-lhe habilidades sobre-humanas. A promessa se revela uma armadilha. Ajax, o sádico responsável…


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Wade Wilson, um mercenário falastrão com um senso de humor peculiar e um histórico de relacionamentos questionáveis, descobre que tem câncer. Sem alternativas convencionais e com o futuro nublado, ele se submete a um programa experimental que promete curá-lo e, de quebra, conceder-lhe habilidades sobre-humanas. A promessa se revela uma armadilha. Ajax, o sádico responsável pelo procedimento, transforma Wade em uma arma, desfigurando-o no processo. Movido por vingança e um desejo bizarro de recuperar a aparência para reconquistar sua namorada, Vanessa, Wade adota o alter ego de Deadpool e embarca em uma caçada sangrenta.

O que se desenrola não é exatamente uma jornada de autodescoberta ou uma epopeia moral, mas sim uma sátira hiperviolenta aos clichês dos filmes de super-heróis. Deadpool quebra a quarta parede com uma frequência irritante, conversa com o público, faz piadas metalinguísticas sobre orçamentos limitados e o universo cinematográfico da Marvel, e usa um humor politicamente incorreto que divide opiniões. Ele não é um mocinho, definitivamente não é um exemplo a ser seguido, mas sua sinceridade brutal e a completa falta de reverência pelos códigos estabelecidos o tornam, paradoxalmente, refrescante.

A trama, apesar da carnificina, é relativamente simples, quase um pretexto para as piadas e as cenas de ação coreografadas com precisão. A dinâmica com os X-Men Colossus e Negasonic Teenage Warhead, que tentam recrutá-lo para sua causa, adiciona uma camada de absurdo à narrativa. No fundo, a busca de Wade por vingança e aceitação levanta questões sobre identidade e a natureza da beleza, mesmo que ele jamais admita isso em voz alta. A tragédia de perder a própria imagem, e como isso afeta a percepção de si e dos outros, ecoa o mito de Narciso, só que com muito mais sangue e explosões. No fim das contas, “Deadpool” questiona: até que ponto estamos dispostos a ir para sermos amados, mesmo que isso signifique nos tornarmos monstros?


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