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Filme: “Tabu” (1999), Nagisa Ôshima

No Japão de 1865, sob a rígida disciplina do Shinsengumi, o lendário esquadrão de samurais de Kyoto, a chegada de Kano Sôzaburô, um jovem e notavelmente belo espadachim, serve como catalisador para uma sutil, mas corrosiva, desordem. Sua presença, quase etérea, rapidamente se torna o foco de olhares e sussurros, despertando uma onda de desejo…


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No Japão de 1865, sob a rígida disciplina do Shinsengumi, o lendário esquadrão de samurais de Kyoto, a chegada de Kano Sôzaburô, um jovem e notavelmente belo espadachim, serve como catalisador para uma sutil, mas corrosiva, desordem. Sua presença, quase etérea, rapidamente se torna o foco de olhares e sussurros, despertando uma onda de desejo homoerótico não declarado e tensões veladas entre os veteranos. A austera camaradagem masculina, outrora inabalável, agora se vê perigosamente fraturada por uma atração que confronta a rigidez do código de honra.

A beleza de Kano funciona como uma lente, através da qual os anseios reprimidos dos samurais são projetados e intensificados. O veterano Hyozo, o pragmático vice-comandante Hijikata e o mestre espadachim Okita, cada um à sua maneira, são compelidos a lidar com essa nova força perturbadora. Quando um assassinato misterioso ocorre dentro do quartel, a investigação conduzida por Hijikata e pelo astuto Yamazaki não busca apenas um culpado, mas desvela a complexa teia de projeções, rivalidades e paixões contidas.

Nagisa Ôshima submerge o espectador num estudo sobre como a beleza e o desejo podem abalar as estruturas mais sólidas, evidenciando a fragilidade da ordem imposta diante da potência do inconsciente. O filme insinua que a disciplina mais severa pode ser impotente frente às pulsões humanas mais primitivas. A narrativa examina como a percepção da beleza de Kano, e o desejo que ela inspira, atua como um desestabilizador, revelando a arbitrariedade da própria ordem social quando confrontada com o caos latente do desejo humano. Não é uma mera história de intriga, mas um mergulho na psique coletiva de um grupo de homens forçados a confrontar seus próprios tabus internos. O desfecho, marcado por uma violência que surge quase como uma purgação inadiável, é um comentário visceral sobre o que acontece quando a disciplina e a repressão falham em conter a força elementar do desejo e da possessão.


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