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Filme: “Z – A Cidade Perdida” (2016), James Gray

Em uma era onde o mapa do mundo ainda possuía vastas lacunas, o major britânico Percy Fawcett, interpretado com uma contida determinação por Charlie Hunnam, aceita uma missão que parece mais um degrau burocrático do que uma aventura. A Royal Geographical Society o envia à fronteira da Bolívia com o Brasil para um trabalho de…


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Em uma era onde o mapa do mundo ainda possuía vastas lacunas, o major britânico Percy Fawcett, interpretado com uma contida determinação por Charlie Hunnam, aceita uma missão que parece mais um degrau burocrático do que uma aventura. A Royal Geographical Society o envia à fronteira da Bolívia com o Brasil para um trabalho de cartografia, uma tarefa para limpar o nome da família e assegurar seu lugar na rígida sociedade eduardiana. Acompanhado por seu ajudante de campo, Henry Costin, um Robert Pattinson quase irreconhecível sob uma barba densa e um laconismo cético, Fawcett mergulha na Amazônia, um universo verde e indiferente que opera sob lógicas próprias, muito distantes dos salões de Londres. O que começa como dever logo se transforma em uma busca febril.

A descoberta de fragmentos de cerâmica e indícios de antigas e complexas formações agrícolas convence Fawcett da existência de uma civilização avançada, que ele batiza de “Z”. Esta hipótese, no entanto, é recebida com desdém e racismo velado por seus pares na Inglaterra, incapazes de conceber que “selvagens” pudessem ter erguido algo grandioso. É neste ponto que a obra de James Gray se afasta do cinema de exploração convencional. A jornada de Fawcett não é uma caça ao tesouro, mas a perseguição de uma ideia, uma obsessão que o consome e o afasta de sua família, especialmente de sua esposa, Nina (Sienna Miller), cuja frustração e inteligência fornecem o contraponto emocional à fixação do marido. A narrativa se estende por décadas, atravessando a brutalidade mecanizada da Primeira Guerra Mundial, um cenário que expõe a selvageria da própria civilização que Fawcett representa.

Gray filma a Amazônia não como um pano de fundo exótico, mas como uma entidade sublime, uma beleza que é simultaneamente uma ameaça existencial. A fotografia de Darius Khondji, com seus tons terrosos e luz natural, captura tanto a majestade quanto o perigo opressivo da selva. O filme é um estudo de personagem sobre a natureza da ambição e o preço de uma convicção. Fawcett não busca ouro ou glória, mas uma validação que poderia redefinir a percepção de seu próprio mundo sobre a história e a humanidade. Ele procura no desconhecido uma verdade que o establishment se recusa a ver. A conclusão de sua história, fiel aos eventos reais, não oferece um fechamento limpo, mas sim a dissolução de um homem em seu propósito, um desaparecimento que se torna a assinatura final de sua busca incansável pela cidade perdida de Z.


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