Cultivando arte e cultura insurgentes


Filme: “Braguino” (2017), Clément Cogitore

Avatar de Hernandes Matias Junior

Twitter Instagram

Nas profundezas da taiga siberiana, a centenas de quilômetros da civilização mais próxima, a vida transcorre segundo as antigas leis da floresta. É neste cenário de beleza imponente e isolamento brutal que o documentário ‘Braguino’, de Clément Cogitore, posiciona seu olhar. Acompanhamos a família Braguine, patriarcada por um homem que deu nome ao assentamento. Eles vivem da caça e da pesca, numa existência que parece suspensa no tempo, onde a autossuficiência é a única garantia de sobrevivência.

Entretanto, este microcosmo de aparente paz é atravessado por uma tensão subterrânea. Do outro lado de um rio, não muito distante, vive outra família, os Kilines. Entre os dois grupos, persiste uma animosidade de gerações, uma disputa territorial e uma desconfiança mútua tão enraizadas que parecem parte da própria paisagem. Os Braguines e os Kilines evitam-se, comunicam-se apenas através de esporádicos encontros hostis, e a inimizade é passada adiante, moldando a infância das crianças de ambos os lados. Os pequenos, com sua curiosidade natural, são constantemente lembrados das fronteiras invisíveis que os separam.

Cogitore observa a dinâmica com uma câmera paciente e um olhar que privilegia a observação sem interrupção. O que emerge não é apenas um retrato de comunidades isoladas, mas uma reflexão sobre a persistência de divisões humanas, mesmo em face de uma natureza implacável que deveria, em tese, unir. A obra expõe como a alteridade pode ser construída e perpetuada, transformando o vizinho distante em uma figura de oposição fundamental para a própria identidade. A vida ali, embora distante das convenções urbanas, revela uma faceta perene da condição humana: a tendência a demarcar o “nós” e o “eles”, mesmo quando a sobrevivência conjunta parece ser a alternativa mais lógica. ‘Braguino’ assim oferece um estudo sobre a formação de comunidades e a incompreensão mútua em um dos cantos mais inóspitos do planeta.

Avatar de Hernandes Matias Junior

Twitter Instagram

Nas profundezas da taiga siberiana, a centenas de quilômetros da civilização mais próxima, a vida transcorre segundo as antigas leis da floresta. É neste cenário de beleza imponente e isolamento brutal que o documentário ‘Braguino’, de Clément Cogitore, posiciona seu olhar. Acompanhamos a família Braguine, patriarcada por um homem que deu nome ao assentamento. Eles vivem da caça e da pesca, numa existência que parece suspensa no tempo, onde a autossuficiência é a única garantia de sobrevivência.

Entretanto, este microcosmo de aparente paz é atravessado por uma tensão subterrânea. Do outro lado de um rio, não muito distante, vive outra família, os Kilines. Entre os dois grupos, persiste uma animosidade de gerações, uma disputa territorial e uma desconfiança mútua tão enraizadas que parecem parte da própria paisagem. Os Braguines e os Kilines evitam-se, comunicam-se apenas através de esporádicos encontros hostis, e a inimizade é passada adiante, moldando a infância das crianças de ambos os lados. Os pequenos, com sua curiosidade natural, são constantemente lembrados das fronteiras invisíveis que os separam.

Cogitore observa a dinâmica com uma câmera paciente e um olhar que privilegia a observação sem interrupção. O que emerge não é apenas um retrato de comunidades isoladas, mas uma reflexão sobre a persistência de divisões humanas, mesmo em face de uma natureza implacável que deveria, em tese, unir. A obra expõe como a alteridade pode ser construída e perpetuada, transformando o vizinho distante em uma figura de oposição fundamental para a própria identidade. A vida ali, embora distante das convenções urbanas, revela uma faceta perene da condição humana: a tendência a demarcar o “nós” e o “eles”, mesmo quando a sobrevivência conjunta parece ser a alternativa mais lógica. ‘Braguino’ assim oferece um estudo sobre a formação de comunidades e a incompreensão mútua em um dos cantos mais inóspitos do planeta.

Deixe um comentário

Comments (

0

)

Descubra mais sobre Românticos Radicais

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo