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Filme: “Demons” (1985), Lamberto Bava

Lamberto Bava, com “Demons”, entrega uma explosão de terror visceral que se recusa a ser contida pelas quatro paredes de uma sala de cinema, onde grande parte da ação se desenrola. O filme mergulha o público em uma noite caótica, quando um grupo heterogêneo de pessoas aceita um convite misterioso para uma sessão gratuita em…


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Lamberto Bava, com “Demons”, entrega uma explosão de terror visceral que se recusa a ser contida pelas quatro paredes de uma sala de cinema, onde grande parte da ação se desenrola. O filme mergulha o público em uma noite caótica, quando um grupo heterogêneo de pessoas aceita um convite misterioso para uma sessão gratuita em um cinema decadente, o Metropol. A atmosfera inicial é de curiosidade e certa estranheza, com cada espectador trazendo consigo suas próprias expectativas para o que seria uma sessão de filme comum.

Contudo, a normalidade logo se desfaz. Enquanto um filme de terror fictício se desenrola na tela, mostrando um grupo de jovens desenterrando um artefato demoníaco, a realidade no Metropol começa a mimetizar a ficção de forma aterrorizante. Um arranhão acidental em uma máscara exposta no lobby inicia uma contaminação inexplicável, transformando rapidamente os espectadores em criaturas grotescas e sedentas por sangue. A sala de cinema, antes um refúgio, torna-se uma armadilha mortal. Os poucos sobreviventes, presos e cercados por hordas de demônios, são forçados a lutar por suas vidas em um cenário de carnificina desenfreada. A narrativa se concentra na desorientação e no pânico coletivo, com a arquitetura do cinema sendo usada de forma claustrofóbica para amplificar o desespero dos personagens.

“Demons” opera com uma lógica de pesadelo, priorizando o impacto sensorial e a adrenalina pura sobre o desenvolvimento aprofundado de personagens ou tramas complexas. Sua força reside na execução implacável do conceito central: a infecção se espalha como uma doença, consumindo a audiência e desmantelando qualquer fronteira entre o que é projetado e o que é vivido. Há uma sugestão de que a própria arte, neste caso o filme dentro do filme, possui um poder contagioso capaz de redefinir a realidade. A suspensão da descrença, inerente à experiência cinematográfica, é aqui levada a uma conclusão aterradora, onde a tela não apenas reflete o horror, mas o vomita para fora, devorando aqueles que se atrevem a observá-lo. As sequências de transformação, repletas de efeitos práticos marcantes dos anos 80, contribuem para a natureza chocante e memorável do filme, tornando-o um documento vibrante de uma era particular do cinema de gênero.


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