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Filme: "Aqui e Ailleurs" (1976), Jean-Luc Godard, Jean-Pierre Gorin, Groupe Dziga Vertov, Anne-Marie Miéville

Filme: “Aqui e Ailleurs” (1976), Jean-Luc Godard, Jean-Pierre Gorin, Groupe Dziga Vertov, Anne-Marie Miéville

Aqui e Ailleurs, ensaio de Godard, parte de um filme sobre militantes palestinos para criticar a representação da realidade política e o abismo entre a experiência vivida e a imagem consumida pela mídia.


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Aqui e Ailleurs é um ensaio cinematográfico que examina a capacidade e os limites do cinema para representar a realidade política. A obra parte de um projeto inacabado, intitulado “Jusqu’à la victoire”, filmado em 1970 pelo Groupe Dziga Vertov a pedido da Organização para a Libertação da Palestina. O material original registrava o treinamento e o cotidiano de combatentes fedayeen em campos na Jordânia e na Palestina, com o objetivo de ser um filme de propaganda revolucionária.

Após os eventos do Setembro Negro em 1970, nos quais muitos dos militantes filmados foram mortos, o projeto foi abandonado. Anos mais tarde, Jean-Luc Godard e Anne-Marie Miéville revisitaram essa filmagem. O resultado é “Aqui e Ailleurs”, uma obra que se estrutura em dois polos geográficos e conceituais. “Ailleurs” (Lá/Em outro lugar) corresponde às imagens da Palestina, agora vistas com a consciência de seu trágico desfecho. “Ici” (Aqui) mostra uma família francesa comum em seu apartamento, consumindo passivamente imagens pela televisão.

O filme articula uma crítica contundente sobre a produção e o consumo de imagens. Godard e Miéville dissecam a própria filmagem, desacelerando cenas, congelando quadros e analisando a relação entre som e imagem para expor como a linguagem audiovisual constrói significados. A obra questiona a verdade prometida pela imagem documental, demonstrando que a mesma foto ou cena pode ter sentidos completamente diferentes dependendo da narração ou do som que a acompanha. Dessa forma, o filme funciona como uma autocrítica sobre a pretensão do cinema militante de capturar e transmitir a “verdade” de uma revolução para um espectador distante, expondo o abismo que separa a experiência vivida (“lá”) da imagem consumida (“aqui”).


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