Em Havana, Cuba, “Behaviour” acompanha Chala, um garoto de 11 anos criado pela avó alcoólatra, Carmela, e que sobrevive treinando cães de briga. Sua vida se equilibra na frágil relação com sua professora, Carmela (coincidência no nome), uma figura materna substituta que enxerga potencial e bondade onde a sociedade vê delinquência. Quando Carmela adoece e é temporariamente afastada da escola, Chala se vê confrontado com um sistema educacional inflexível e preconceituoso, personificado por uma nova professora que o rotula e tenta excluí-lo.
O filme tece uma narrativa complexa sobre moralidade e as nuances do comportamento humano, explorando como o contexto social e as oportunidades moldam o indivíduo. Não há julgamentos fáceis; os personagens são complexos, movidos por diferentes motivações e presos em suas próprias circunstâncias. A trama nos apresenta a fragilidade de um sistema que, sob o pretexto de educar, pode perpetuar desigualdades e marginalizar aqueles que mais precisam de apoio.
A fotografia, que captura a beleza decadente de Havana, contrasta com a dureza da realidade enfrentada por Chala e Carmela. A trilha sonora, melancólica e envolvente, acentua a atmosfera de desesperança e a luta pela sobrevivência. “Behaviour” oferece um retrato pungente da Cuba contemporânea, onde a escassez e a burocracia desafiam a resiliência do povo. A narrativa se desenvolve em torno da busca por dignidade e da importância da educação como ferramenta de transformação social.
O conceito filosófico de “determinismo social” ecoa ao longo do filme. A trajetória de Chala parece, em grande parte, predeterminada pelas suas condições de vida, mas a relação com a professora Carmela representa uma brecha, uma possibilidade de livre arbítrio e de superação. “Behaviour” questiona até que ponto somos responsáveis por nossas ações e até que ponto somos produtos do meio em que vivemos, deixando claro que, mesmo nas situações mais adversas, a conexão humana e o afeto podem gerar mudanças significativas.




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