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Filme: “Salomè” (1972), Carmelo Bene

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Carmelo Bene’s “Salomè” (1972) não se alinha às adaptações convencionais da peça de Oscar Wilde; opera como uma febre barroca sobre o mito bíblico e suas reinterpretações. O filme submerge na corte depravada de Herodes e Herodíades, onde a jovem Salomé, figura de desejo e fascínio, orbita em torno de um Jokanaan encarcerado, o profeta João Batista. A narrativa serve menos como um fio condutor e mais como um pretexto para um espetáculo de excessos e contradições, onde a beleza e o grotesco convivem em simbiose dissonante.

Bene emprega uma estética opulenta e deliberadamente artificial, transformando cada cena em um quadro teatral. Figurinos extravagantes, cenários carregados e uma iluminação expressiva contribuem para um universo visual que evoca tanto o fausto quanto a putrefação. A câmera de Bene é um cúmplice nesse jogo de aparências, explorando cada textura e pose, fazendo da imagem o ponto central da experiência. A coreografia dos personagens, seus gestos exagerados e sua dicção muitas vezes performática, ressaltam a natureza encenada de suas existências e paixões.

O filme desvia o olhar da psicologia dos personagens para a ritualística do poder e do desejo. A obsessão de Herodes por Salomé, e a obsessão desta por Jokanaan, são exploradas não como conflitos internos, mas como manifestações de uma energia primal e destrutiva. A famosa “Dança dos Sete Véus” é reconfigurada não como um ato de sedução puro, mas como uma elaborada performance que esconde e revela, manipula e corrompe. É na superfície, na performance explícita dos corpos e dos rituais, que o sentido do filme se estabelece, apontando para uma primazia da manifestação sobre qualquer essência oculta. Essa abordagem remete a uma compreensão da existência onde o significado surge da ação e do excesso, e não de uma verdade subjacente.

“Salomè” de Carmelo Bene posiciona-se como uma obra seminal no cinema experimental italiano, um exemplo audacioso da autoralidade de um diretor que se recusava a seguir cânones. É um trabalho que exige do espectador uma imersão na sua lógica própria, oferecendo uma experiência cinematográfica singular que permanece na memória.

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Carmelo Bene’s “Salomè” (1972) não se alinha às adaptações convencionais da peça de Oscar Wilde; opera como uma febre barroca sobre o mito bíblico e suas reinterpretações. O filme submerge na corte depravada de Herodes e Herodíades, onde a jovem Salomé, figura de desejo e fascínio, orbita em torno de um Jokanaan encarcerado, o profeta João Batista. A narrativa serve menos como um fio condutor e mais como um pretexto para um espetáculo de excessos e contradições, onde a beleza e o grotesco convivem em simbiose dissonante.

Bene emprega uma estética opulenta e deliberadamente artificial, transformando cada cena em um quadro teatral. Figurinos extravagantes, cenários carregados e uma iluminação expressiva contribuem para um universo visual que evoca tanto o fausto quanto a putrefação. A câmera de Bene é um cúmplice nesse jogo de aparências, explorando cada textura e pose, fazendo da imagem o ponto central da experiência. A coreografia dos personagens, seus gestos exagerados e sua dicção muitas vezes performática, ressaltam a natureza encenada de suas existências e paixões.

O filme desvia o olhar da psicologia dos personagens para a ritualística do poder e do desejo. A obsessão de Herodes por Salomé, e a obsessão desta por Jokanaan, são exploradas não como conflitos internos, mas como manifestações de uma energia primal e destrutiva. A famosa “Dança dos Sete Véus” é reconfigurada não como um ato de sedução puro, mas como uma elaborada performance que esconde e revela, manipula e corrompe. É na superfície, na performance explícita dos corpos e dos rituais, que o sentido do filme se estabelece, apontando para uma primazia da manifestação sobre qualquer essência oculta. Essa abordagem remete a uma compreensão da existência onde o significado surge da ação e do excesso, e não de uma verdade subjacente.

“Salomè” de Carmelo Bene posiciona-se como uma obra seminal no cinema experimental italiano, um exemplo audacioso da autoralidade de um diretor que se recusava a seguir cânones. É um trabalho que exige do espectador uma imersão na sua lógica própria, oferecendo uma experiência cinematográfica singular que permanece na memória.

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