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Seu filho só é importante para você

Comentando a tentativa falha de expor a mulher que negou ceder o assento no avião para uma criança birrenta

Avatar de Hernandes Matias Junior

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Um vídeo recente viralizou e, com ele, a demonstração de como o narcisismo parental moderno se infiltrou até nas alturas. A cena é simples: uma mãe decide expor publicamente Jeniffer Castro, uma passageira que ousou cometer o gravíssimo crime de não trocar seu assento no avião para que o filho da senhora pudesse realizar seu supremo desejo infantil: sentar na janela. Sim, vivemos num mundo onde o conforto psicológico de uma criança — alheia à lógica e à ordem do universo — é tratado como prioridade universal.

Ora, vamos ao ponto: Jeniffer Castro não é uma vilã. Ela é, na verdade, uma heroína silenciosa na luta contra a tirania parental que transforma desejos infantis em exigências sociais. Seu ato de resistência foi um gesto raro de bom senso, algo que anda escasso. Afinal, desde quando o mundo deve dobrar-se às vontades dos filhos dos outros?

Os pais, em sua bolha narcísica, acreditam piamente que suas crias são o centro gravitacional da existência coletiva. Mas aqui vai a verdade, nua e crua, para quem ainda não foi informado: seu filho só é importante para você. A sociedade não é uma extensão do playground doméstico. Há regras, normas e contratos que mantêm a civilização minimamente funcional — como o simples fato de que quem compra o assento da janela, senta na janela.

O problema, no entanto, não é a criança. É o adulto que a embala. Ensinar a um filho que ele não pode ter tudo o que deseja é um dos pilares básicos da educação. Mas parece que, hoje em dia, frustrar uma criança é um ato quase criminoso, uma afronta à “pureza dos pequenos”. Então, em vez de ensinar os limites do mundo real, muitos pais preferem exigir que outros adultos — que, diga-se de passagem, já carregam os próprios problemas e ansiedades — cedam espaço, conforto e até dignidade para que seus filhos nunca enfrentem a frustração.

Expor Jeniffer Castro publicamente é mais do que apenas falta de decoro; é um sintoma de um tempo em que pais se acham no direito de transferir sua incompetência para terceiros. Porque é disso que se trata: incompetência. Educar é, entre outras coisas, ensinar que o mundo não gira em torno do indivíduo. É dizer “não” e explicar que nem sempre é possível mudar as circunstâncias. Mas, claro, é muito mais fácil filmar um escândalo, jogar nas redes sociais e esperar que a patrulha virtual faça o serviço sujo.

Aqui vai outra dose de realidade para os pais: seus filhos precisam de frustração. A vida é feita dela. E se a primeira lição de limite que uma criança recebe já é negada para atender ao ego dos pais, o que esperar dessa geração no futuro? Uma sociedade onde ninguém respeita contratos ou regras, porque tudo é negociável na base do choro ou da pressão social?

Aplausos para Jeniffer Castro, que teve a audácia de não ceder. Que seu exemplo sirva de inspiração para outros que, exaustos dessa cultura de “meu filho acima de tudo”, decidam resistir. Afinal, o mundo tem regras e elas precisam ser seguidas — até mesmo pelas crianças birrentas.

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Um vídeo recente viralizou e, com ele, a demonstração de como o narcisismo parental moderno se infiltrou até nas alturas. A cena é simples: uma mãe decide expor publicamente Jeniffer Castro, uma passageira que ousou cometer o gravíssimo crime de não trocar seu assento no avião para que o filho da senhora pudesse realizar seu supremo desejo infantil: sentar na janela. Sim, vivemos num mundo onde o conforto psicológico de uma criança — alheia à lógica e à ordem do universo — é tratado como prioridade universal.

Ora, vamos ao ponto: Jeniffer Castro não é uma vilã. Ela é, na verdade, uma heroína silenciosa na luta contra a tirania parental que transforma desejos infantis em exigências sociais. Seu ato de resistência foi um gesto raro de bom senso, algo que anda escasso. Afinal, desde quando o mundo deve dobrar-se às vontades dos filhos dos outros?

Os pais, em sua bolha narcísica, acreditam piamente que suas crias são o centro gravitacional da existência coletiva. Mas aqui vai a verdade, nua e crua, para quem ainda não foi informado: seu filho só é importante para você. A sociedade não é uma extensão do playground doméstico. Há regras, normas e contratos que mantêm a civilização minimamente funcional — como o simples fato de que quem compra o assento da janela, senta na janela.

O problema, no entanto, não é a criança. É o adulto que a embala. Ensinar a um filho que ele não pode ter tudo o que deseja é um dos pilares básicos da educação. Mas parece que, hoje em dia, frustrar uma criança é um ato quase criminoso, uma afronta à “pureza dos pequenos”. Então, em vez de ensinar os limites do mundo real, muitos pais preferem exigir que outros adultos — que, diga-se de passagem, já carregam os próprios problemas e ansiedades — cedam espaço, conforto e até dignidade para que seus filhos nunca enfrentem a frustração.

Expor Jeniffer Castro publicamente é mais do que apenas falta de decoro; é um sintoma de um tempo em que pais se acham no direito de transferir sua incompetência para terceiros. Porque é disso que se trata: incompetência. Educar é, entre outras coisas, ensinar que o mundo não gira em torno do indivíduo. É dizer “não” e explicar que nem sempre é possível mudar as circunstâncias. Mas, claro, é muito mais fácil filmar um escândalo, jogar nas redes sociais e esperar que a patrulha virtual faça o serviço sujo.

Aqui vai outra dose de realidade para os pais: seus filhos precisam de frustração. A vida é feita dela. E se a primeira lição de limite que uma criança recebe já é negada para atender ao ego dos pais, o que esperar dessa geração no futuro? Uma sociedade onde ninguém respeita contratos ou regras, porque tudo é negociável na base do choro ou da pressão social?

Aplausos para Jeniffer Castro, que teve a audácia de não ceder. Que seu exemplo sirva de inspiração para outros que, exaustos dessa cultura de “meu filho acima de tudo”, decidam resistir. Afinal, o mundo tem regras e elas precisam ser seguidas — até mesmo pelas crianças birrentas.

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