Cultivando arte e cultura insurgentes


Filme: “Maborosi – A Luz da Ilusão”, Hirokazu Kore-eda

Avatar de Hernandes Matias Junior

Twitter Instagram

Numa estreia cinematográfica de uma maturidade impressionante, Hirokazu Kore-eda tece um estudo visualmente deslumbrante sobre o luto, a memória e a elusiva natureza da felicidade. A vida de Yumiko em Osaka, um mosaico de momentos domésticos e ternos com o seu marido Ikuo e o seu filho bebé, é subitamente estilhaçada por uma tragédia inexplicável. Sem aviso ou motivo aparente, Ikuo deita-se nos carris e é morto por um comboio, deixando Yumiko à deriva num mar de silêncio e perguntas sem resposta.

Anos mais tarde, na tentativa de escapar ao eco persistente daquele dia e ao constante ruído dos comboios que se tornaram um gatilho para a sua dor, Yumiko aceita um casamento arranjado. Deixa para trás a agitação da cidade e muda-se para uma remota e ventosa aldeia costeira na península de Noto. Ali, casa com Tamio, um viúvo amável, e começa uma nova vida, encontrando uma paz frágil na rotina diária e na cadência hipnótica do mar. Contudo, a serenidade da paisagem esconde a turbulência interior que se recusa a dissipar. A felicidade que encontra é real, mas assombrada por um fantasma que não tem nome nem rosto, apenas a forma de uma pergunta: porquê?

Kore-eda filma a jornada de Yumiko não como um drama, mas como uma meditação. Com composições pictóricas que evocam a mestria de Ozu e uma paleta de luz natural que captura a beleza melancólica do cenário, o filme explora o conceito de “maborosi” – uma luz fantasma, uma ilusão ótica que, segundo o folclore local, atrai os homens para a morte no mar. A questão que persegue Yumiko não é sobre encontrar respostas, mas sobre como viver com a sua ausência. Maborosi não é um filme sobre a morte, mas sobre as complexas e silenciosas formas como os vivos continuam, assombrados pela beleza e pela crueldade do que não se pode explicar.

“Maborosi – A Luz da Ilusão” está disponível no MUBI.

Avatar de Hernandes Matias Junior

Twitter Instagram

Numa estreia cinematográfica de uma maturidade impressionante, Hirokazu Kore-eda tece um estudo visualmente deslumbrante sobre o luto, a memória e a elusiva natureza da felicidade. A vida de Yumiko em Osaka, um mosaico de momentos domésticos e ternos com o seu marido Ikuo e o seu filho bebé, é subitamente estilhaçada por uma tragédia inexplicável. Sem aviso ou motivo aparente, Ikuo deita-se nos carris e é morto por um comboio, deixando Yumiko à deriva num mar de silêncio e perguntas sem resposta.

Anos mais tarde, na tentativa de escapar ao eco persistente daquele dia e ao constante ruído dos comboios que se tornaram um gatilho para a sua dor, Yumiko aceita um casamento arranjado. Deixa para trás a agitação da cidade e muda-se para uma remota e ventosa aldeia costeira na península de Noto. Ali, casa com Tamio, um viúvo amável, e começa uma nova vida, encontrando uma paz frágil na rotina diária e na cadência hipnótica do mar. Contudo, a serenidade da paisagem esconde a turbulência interior que se recusa a dissipar. A felicidade que encontra é real, mas assombrada por um fantasma que não tem nome nem rosto, apenas a forma de uma pergunta: porquê?

Kore-eda filma a jornada de Yumiko não como um drama, mas como uma meditação. Com composições pictóricas que evocam a mestria de Ozu e uma paleta de luz natural que captura a beleza melancólica do cenário, o filme explora o conceito de “maborosi” – uma luz fantasma, uma ilusão ótica que, segundo o folclore local, atrai os homens para a morte no mar. A questão que persegue Yumiko não é sobre encontrar respostas, mas sobre como viver com a sua ausência. Maborosi não é um filme sobre a morte, mas sobre as complexas e silenciosas formas como os vivos continuam, assombrados pela beleza e pela crueldade do que não se pode explicar.

“Maborosi – A Luz da Ilusão” está disponível no MUBI.

Deixe uma resposta

Comments (

0

)

Descubra mais sobre Românticos Radicais

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading