Cultivando arte e cultura insurgentes


Filme: “Simplesmente Feliz”, Mike Leigh

Avatar de Hernandes Matias Junior

Twitter Instagram

Numa Londres que muitas vezes se apresenta em tons de cinza, Poppy Cross é uma explosão de rosa-choque e riso contagiante. Professora primária de trinta anos, ela navega pela vida com uma dose de otimismo que desarma, irrita e fascina na mesma medida. Quando a sua bicicleta é roubada, a sua reação não é de raiva, mas de uma resignada tristeza por não se ter podido despedir. Este é o ponto de partida para a sua nova aventura: aprender a conduzir.

É no banco do passageiro que Poppy encontra o seu contraponto perfeito e o verdadeiro teste à sua cosmovisão. Scott, o seu instrutor de condução, é um poço de raiva, paranoia e teorias da conspiração, um homem que vê o mundo através de um filtro de amargura e desconfiança. As suas aulas transformam-se num duelo filosófico sobre rodas, onde a incessante alegria de Poppy colide frontalmente com o niilismo zangado de Scott, gerando momentos de comédia desconfortável e tensão palpável.

Longe do carro, a vida de Poppy desenrola-se em vinhetas que pintam um retrato mais complexo do que a sua fachada sorridente sugere. Seja nas aulas de flamenco com um instrutor apaixonado, nas noites com a sua colega de apartamento pragmática, ou na forma como lida com um aluno problemático e um encontro perturbador com um homem sem-abrigo, o filme questiona subtilmente a natureza da sua felicidade. É uma escolha consciente, um mecanismo de defesa ou uma forma de negação?

Mike Leigh, mestre do realismo social britânico, troca a sua paleta habitualmente sombria por uma surpreendentemente vibrante, mas não se engane: a profundidade e a observação aguçada da condição humana continuam presentes. Sustentado por uma tour de force de Sally Hawkins, cuja performance equilibra na perfeição a exuberância com uma vulnerabilidade subjacente, o filme é menos uma comédia tradicional e mais um provocador estudo de personagem. Simplesmente Feliz desafia o cinismo do espectador, forçando-o a confrontar a sua própria perspetiva sobre a alegria e a resiliência num mundo que parece ter pouco espaço para ambas.

“Simplesmente Feliz” está disponível no MUBI.

Avatar de Hernandes Matias Junior

Twitter Instagram

Numa Londres que muitas vezes se apresenta em tons de cinza, Poppy Cross é uma explosão de rosa-choque e riso contagiante. Professora primária de trinta anos, ela navega pela vida com uma dose de otimismo que desarma, irrita e fascina na mesma medida. Quando a sua bicicleta é roubada, a sua reação não é de raiva, mas de uma resignada tristeza por não se ter podido despedir. Este é o ponto de partida para a sua nova aventura: aprender a conduzir.

É no banco do passageiro que Poppy encontra o seu contraponto perfeito e o verdadeiro teste à sua cosmovisão. Scott, o seu instrutor de condução, é um poço de raiva, paranoia e teorias da conspiração, um homem que vê o mundo através de um filtro de amargura e desconfiança. As suas aulas transformam-se num duelo filosófico sobre rodas, onde a incessante alegria de Poppy colide frontalmente com o niilismo zangado de Scott, gerando momentos de comédia desconfortável e tensão palpável.

Longe do carro, a vida de Poppy desenrola-se em vinhetas que pintam um retrato mais complexo do que a sua fachada sorridente sugere. Seja nas aulas de flamenco com um instrutor apaixonado, nas noites com a sua colega de apartamento pragmática, ou na forma como lida com um aluno problemático e um encontro perturbador com um homem sem-abrigo, o filme questiona subtilmente a natureza da sua felicidade. É uma escolha consciente, um mecanismo de defesa ou uma forma de negação?

Mike Leigh, mestre do realismo social britânico, troca a sua paleta habitualmente sombria por uma surpreendentemente vibrante, mas não se engane: a profundidade e a observação aguçada da condição humana continuam presentes. Sustentado por uma tour de force de Sally Hawkins, cuja performance equilibra na perfeição a exuberância com uma vulnerabilidade subjacente, o filme é menos uma comédia tradicional e mais um provocador estudo de personagem. Simplesmente Feliz desafia o cinismo do espectador, forçando-o a confrontar a sua própria perspetiva sobre a alegria e a resiliência num mundo que parece ter pouco espaço para ambas.

“Simplesmente Feliz” está disponível no MUBI.

Deixe uma resposta

Comments (

0

)

Descubra mais sobre Românticos Radicais

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading