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Filme: “Rebobine, por Favor”, Michel Gondry

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Num canto esquecido de Passaic, Nova Jérsia, a loja de aluguer de vídeos Be Kind Rewind resiste como um fóssil da era do VHS, gerida pelo nostálgico Sr. Fletcher. A sua rotina é abalada quando o seu funcionário, Mike, é deixado no comando, precisamente no momento em que o seu melhor amigo, o conspiracionista e desastre magnético ambulante Jerry, decide sabotar uma central elétrica e acaba, ele próprio, magnetizado. O resultado é catastrófico: cada fita da loja é apagada, deixando apenas um chiado estático onde antes residiam clássicos do cinema.

Confrontados com a fúria iminente de uma cliente leal que exige alugar ‘Os Caça-Fantasmas’, Mike e Jerry recorrem à única solução lógica para mentes desesperadas: refilmar o filme eles próprios. Armados com uma câmara de vídeo, engenhocas de papelão e um espírito anárquico, eles criam uma versão de vinte minutos que, para sua surpresa, se torna um sucesso de culto local. Nasce assim o fenómeno do “suecar”, um processo de recriar toscamente blockbusters de Hollywood com zero orçamento e máxima criatividade.

O que começa como uma mentira para salvar a pele transforma-se num movimento comunitário. A dupla, agora com a ajuda da engenhosa Alma, lança-se na produção de épicos como ‘A Hora do Rush 2’ e ‘RoboCop’, transformando os vizinhos em atores e a paisagem urbana decadente em cenários de ação. Michel Gondry não se contenta em satirizar Hollywood; ele orquestra uma celebração da criatividade participativa, questionando o que constitui a autêntica magia do cinema. Quando os advogados de direitos de autor ameaçam encerrar a operação, a comunidade não recua. Em vez disso, eles embarcam no seu projeto mais ambicioso: um filme original sobre a história do seu próprio bairro, centrado na lenda do jazz Fats Waller. ‘Rebobine, por Favor’ é menos sobre salvar uma loja de vídeos e mais sobre descobrir que a arte mais poderosa é aquela que pertence a todos, uma ode agridoce e hilariante ao poder da criação coletiva na era da obsolescência programada.

“Rebobine, por Favor” está disponível no MUBI.

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Num canto esquecido de Passaic, Nova Jérsia, a loja de aluguer de vídeos Be Kind Rewind resiste como um fóssil da era do VHS, gerida pelo nostálgico Sr. Fletcher. A sua rotina é abalada quando o seu funcionário, Mike, é deixado no comando, precisamente no momento em que o seu melhor amigo, o conspiracionista e desastre magnético ambulante Jerry, decide sabotar uma central elétrica e acaba, ele próprio, magnetizado. O resultado é catastrófico: cada fita da loja é apagada, deixando apenas um chiado estático onde antes residiam clássicos do cinema.

Confrontados com a fúria iminente de uma cliente leal que exige alugar ‘Os Caça-Fantasmas’, Mike e Jerry recorrem à única solução lógica para mentes desesperadas: refilmar o filme eles próprios. Armados com uma câmara de vídeo, engenhocas de papelão e um espírito anárquico, eles criam uma versão de vinte minutos que, para sua surpresa, se torna um sucesso de culto local. Nasce assim o fenómeno do “suecar”, um processo de recriar toscamente blockbusters de Hollywood com zero orçamento e máxima criatividade.

O que começa como uma mentira para salvar a pele transforma-se num movimento comunitário. A dupla, agora com a ajuda da engenhosa Alma, lança-se na produção de épicos como ‘A Hora do Rush 2’ e ‘RoboCop’, transformando os vizinhos em atores e a paisagem urbana decadente em cenários de ação. Michel Gondry não se contenta em satirizar Hollywood; ele orquestra uma celebração da criatividade participativa, questionando o que constitui a autêntica magia do cinema. Quando os advogados de direitos de autor ameaçam encerrar a operação, a comunidade não recua. Em vez disso, eles embarcam no seu projeto mais ambicioso: um filme original sobre a história do seu próprio bairro, centrado na lenda do jazz Fats Waller. ‘Rebobine, por Favor’ é menos sobre salvar uma loja de vídeos e mais sobre descobrir que a arte mais poderosa é aquela que pertence a todos, uma ode agridoce e hilariante ao poder da criação coletiva na era da obsolescência programada.

“Rebobine, por Favor” está disponível no MUBI.

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