Quatro personagens orbitam em um Londres fotografada com uma beleza crua e honesta, cada um buscando algo que parece sempre escapar entre os dedos. Dan, um aspirante a escritor que trabalha como obituarista, cruza o caminho de Alice, uma jovem americana com um passado enigmático, e a faísca é imediata. Paralelamente, Anna, uma fotógrafa talentosa, conhece Larry, um dermatologista pragmático e direto, durante uma sessão de fotos. A atração é inegável e as vidas dos quatro se entrelaçam em uma teia de desejo, ciúme e traição.
Mike Nichols, com sua direção precisa e sem adornos, expõe as fragilidades e as complexidades das relações modernas. Os diálogos são afiados, muitas vezes cruéis, revelando a incapacidade dos personagens de se comunicarem verdadeiramente, mesmo na intimidade. As máscaras caem, e o que resta são indivíduos imperfeitos, presos em um ciclo de busca incessante por validação e afeto, muitas vezes confundindo paixão com amor genuíno. O filme não se preocupa em julgar seus personagens, mas sim em apresentar um retrato honesto e perturbador da condição humana, onde a busca pela autenticidade frequentemente se perde em meio a jogos de poder e manipulação emocional.
Ao final, a sensação que perdura é a de que a proximidade física e emocional, tão almejada, pode ser ilusória, e que a verdade, quando finalmente revelada, pode ser mais dolorosa do que a mentira. Em consonância com as ideias de Sartre, somos condenados a ser livres, a escolher nossas relações e a arcar com as consequências dessas escolhas, mesmo que elas nos levem ao sofrimento. A liberdade de amar, em “Closer”, se revela uma armadilha complexa e, por vezes, cruel.









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