Cultivando arte e cultura insurgentes


Filme: “The End of Evangelion” (1997), Kazuya Tsurumaki, Hideaki Anno

Avatar de Hernandes Matias Junior

Siga: Twitter Instagram

Lançado como uma conclusão alternativa e visceral para a série de televisão Neon Genesis Evangelion, o filme The End of Evangelion, dos diretores Kazuya Tsurumaki e Hideaki Anno, ignora o final introspectivo da série original para mergulhar o espectador diretamente no apocalipse. A narrativa começa imediatamente após os eventos do episódio 24, com o jovem piloto Shinji Ikari em um estado de paralisia catatônica, incapaz de processar o trauma e a solidão que o consomem. Enquanto isso, a organização secreta SEELE, descontente com os rumos tomados por Gendo Ikari, lança uma invasão militar em larga escala contra o quartel-general da NERV, com o objetivo de tomar controle das unidades Evangelion e iniciar seu próprio plano para a evolução forçada da humanidade.

O que se segue é um espetáculo de animação crua e implacável. As defesas da NERV colapsam sob o ataque surpresa, e a agonia psicológica dos personagens se materializa em uma violência explícita e desesperadora. O ponto central dessa primeira metade é o retorno de Asuka Langley Soryu, que, em um momento de clareza e fúria, pilota a Unidade-02 em uma das sequências de batalha mais viscerais da animação japonesa, um balé sangrento contra as Evas produzidas em massa pela SEELE. A brutalidade da cena não é gratuita; ela serve como um contraponto físico à paralisia emocional de Shinji, estabelecendo as altíssimas apostas do conflito que está prestes a se tornar cósmico. A queda de Asuka é o gatilho final que empurra Shinji para o centro do evento mais temido: o Terceiro Impacto.

Com a NERV derrotada, o Projeto de Instrumentalidade Humana de SEELE começa. O filme abandona a estrutura de um confronto mecha tradicional e se transforma em uma ópera psicodélica e existencial. A humanidade é dissolvida em um mar primordial de LCL, um oceano laranja onde todas as almas se fundem em uma única consciência coletiva, eliminando a individualidade e, com ela, a dor do isolamento. Esta é uma manifestação literal do Dilema do Porco-espinho de Schopenhauer, onde a proximidade humana inevitavelmente causa dor, e a única fuga é a solidão ou a dissolução do eu. A Shinji Ikari, o catalisador de todo o evento, é entregue o poder de decisão final: aceitar essa utopia indolor de unidade ou rejeitá-la, restaurando um mundo onde a individualidade, com todo o seu potencial para a dor e o mal-entendido, pode mais uma vez existir.

A conclusão acontece em uma paisagem desolada, uma praia banhada por um mar vermelho. A decisão de Shinji resulta em um cenário ambíguo que redefine o significado de esperança e recomeço. A obra de Anno e Tsurumaki não busca fornecer um fechamento limpo, mas sim apresentar as consequências monumentais de uma escolha fundamental sobre a natureza da condição humana. É uma análise cinematográfica sobre depressão, comunicação e a dificuldade inerente em se conectar com o outro, contada através de uma iconografia religiosa e imagens surreais que se tornaram marcantes na história da animação. O filme permanece uma peça complexa e poderosa, cuja relevância se aprofunda ao examinar a frágil fronteira entre o eu e o coletivo.

Avatar de Hernandes Matias Junior

Siga: Twitter Instagram

Lançado como uma conclusão alternativa e visceral para a série de televisão Neon Genesis Evangelion, o filme The End of Evangelion, dos diretores Kazuya Tsurumaki e Hideaki Anno, ignora o final introspectivo da série original para mergulhar o espectador diretamente no apocalipse. A narrativa começa imediatamente após os eventos do episódio 24, com o jovem piloto Shinji Ikari em um estado de paralisia catatônica, incapaz de processar o trauma e a solidão que o consomem. Enquanto isso, a organização secreta SEELE, descontente com os rumos tomados por Gendo Ikari, lança uma invasão militar em larga escala contra o quartel-general da NERV, com o objetivo de tomar controle das unidades Evangelion e iniciar seu próprio plano para a evolução forçada da humanidade.

O que se segue é um espetáculo de animação crua e implacável. As defesas da NERV colapsam sob o ataque surpresa, e a agonia psicológica dos personagens se materializa em uma violência explícita e desesperadora. O ponto central dessa primeira metade é o retorno de Asuka Langley Soryu, que, em um momento de clareza e fúria, pilota a Unidade-02 em uma das sequências de batalha mais viscerais da animação japonesa, um balé sangrento contra as Evas produzidas em massa pela SEELE. A brutalidade da cena não é gratuita; ela serve como um contraponto físico à paralisia emocional de Shinji, estabelecendo as altíssimas apostas do conflito que está prestes a se tornar cósmico. A queda de Asuka é o gatilho final que empurra Shinji para o centro do evento mais temido: o Terceiro Impacto.

Com a NERV derrotada, o Projeto de Instrumentalidade Humana de SEELE começa. O filme abandona a estrutura de um confronto mecha tradicional e se transforma em uma ópera psicodélica e existencial. A humanidade é dissolvida em um mar primordial de LCL, um oceano laranja onde todas as almas se fundem em uma única consciência coletiva, eliminando a individualidade e, com ela, a dor do isolamento. Esta é uma manifestação literal do Dilema do Porco-espinho de Schopenhauer, onde a proximidade humana inevitavelmente causa dor, e a única fuga é a solidão ou a dissolução do eu. A Shinji Ikari, o catalisador de todo o evento, é entregue o poder de decisão final: aceitar essa utopia indolor de unidade ou rejeitá-la, restaurando um mundo onde a individualidade, com todo o seu potencial para a dor e o mal-entendido, pode mais uma vez existir.

A conclusão acontece em uma paisagem desolada, uma praia banhada por um mar vermelho. A decisão de Shinji resulta em um cenário ambíguo que redefine o significado de esperança e recomeço. A obra de Anno e Tsurumaki não busca fornecer um fechamento limpo, mas sim apresentar as consequências monumentais de uma escolha fundamental sobre a natureza da condição humana. É uma análise cinematográfica sobre depressão, comunicação e a dificuldade inerente em se conectar com o outro, contada através de uma iconografia religiosa e imagens surreais que se tornaram marcantes na história da animação. O filme permanece uma peça complexa e poderosa, cuja relevância se aprofunda ao examinar a frágil fronteira entre o eu e o coletivo.

Deixe uma resposta

Comments (

0

)

Descubra mais sobre Românticos Radicais

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading