Cultivando arte e cultura insurgentes


Filme: “O Homem da Manivela” (1928), Edward Sedgwick, Buster Keaton

Avatar de Hernandes Matias Junior

Twitter Instagram

A premissa acompanha Buster, um fotógrafo de rua de parcos talentos, que troca sua modesta câmera de retratos por uma manivela de cinema na esperança de conquistar o coração de Sally, uma secretária da MGM Newsreels. Para ganhar seu afeto e um emprego como cinegrafista, ele precisa impressionar os executivos do estúdio, mas sua inépcia crônica transforma cada tentativa de capturar uma notícia em uma catástrofe de proporções cômicas. De uma regata que ele filma sem película a uma guerra de gangues em Chinatown onde ele se torna o centro involuntário da ação, Buster e sua câmera parecem conspirar contra seu próprio sucesso, resultando em rolos de filme com dupla exposição, imagens de cabeça para baixo e um caos visual que é, paradoxalmente, uma obra de arte do desastre.

O filme de Edward Sedgwick e Buster Keaton opera em um nível que vai além da simples sucessão de gags. Trata-se de uma análise da própria natureza da imagem em movimento e da relação entre o criador e sua ferramenta. A câmera aqui não é um objeto passivo; é uma cúmplice imprevisível, uma extensão do corpo desajeitado de Keaton que frequentemente se rebela. A sequência na piscina pública, uma das mais célebres do cinema mudo, é um estudo sobre espaço, privacidade e a falibilidade do corpo, enquanto a sua tentativa de documentar um incêndio resulta numa coreografia de quase-morte com uma precisão matemática. A narrativa, sendo a primeira de Keaton sob o sistema da MGM, reflete sutilmente a tensão entre a liberdade criativa do artista e as exigências comerciais da indústria, um tema que percorreria o resto de sua carreira.

No fundo, ‘O Homem da Manivela’ articula uma espécie de fenomenologia do corpo em colisão com a máquina. Buster não apenas opera a câmera; ele dança com ela, briga com ela e, no final, é salvo por ela de uma forma inesperada através da intervenção de seu macaco de estimação, Josephine. A resolução não chega pelo aperfeiçoamento da técnica de Buster, mas pelo acaso e pela persistência cega, sugerindo que a captura da “verdade” cinematográfica é menos um ato de controle e mais um acidente feliz, uma rendição à imprevisibilidade do mundo diante da lente. É uma comédia física em sua forma mais pura, mas também um comentário afiado sobre a construção da realidade através do olhar mecânico, onde o fracasso repetido pode, por si só, gerar uma forma singular de arte.

Avatar de Hernandes Matias Junior

Twitter Instagram

A premissa acompanha Buster, um fotógrafo de rua de parcos talentos, que troca sua modesta câmera de retratos por uma manivela de cinema na esperança de conquistar o coração de Sally, uma secretária da MGM Newsreels. Para ganhar seu afeto e um emprego como cinegrafista, ele precisa impressionar os executivos do estúdio, mas sua inépcia crônica transforma cada tentativa de capturar uma notícia em uma catástrofe de proporções cômicas. De uma regata que ele filma sem película a uma guerra de gangues em Chinatown onde ele se torna o centro involuntário da ação, Buster e sua câmera parecem conspirar contra seu próprio sucesso, resultando em rolos de filme com dupla exposição, imagens de cabeça para baixo e um caos visual que é, paradoxalmente, uma obra de arte do desastre.

O filme de Edward Sedgwick e Buster Keaton opera em um nível que vai além da simples sucessão de gags. Trata-se de uma análise da própria natureza da imagem em movimento e da relação entre o criador e sua ferramenta. A câmera aqui não é um objeto passivo; é uma cúmplice imprevisível, uma extensão do corpo desajeitado de Keaton que frequentemente se rebela. A sequência na piscina pública, uma das mais célebres do cinema mudo, é um estudo sobre espaço, privacidade e a falibilidade do corpo, enquanto a sua tentativa de documentar um incêndio resulta numa coreografia de quase-morte com uma precisão matemática. A narrativa, sendo a primeira de Keaton sob o sistema da MGM, reflete sutilmente a tensão entre a liberdade criativa do artista e as exigências comerciais da indústria, um tema que percorreria o resto de sua carreira.

No fundo, ‘O Homem da Manivela’ articula uma espécie de fenomenologia do corpo em colisão com a máquina. Buster não apenas opera a câmera; ele dança com ela, briga com ela e, no final, é salvo por ela de uma forma inesperada através da intervenção de seu macaco de estimação, Josephine. A resolução não chega pelo aperfeiçoamento da técnica de Buster, mas pelo acaso e pela persistência cega, sugerindo que a captura da “verdade” cinematográfica é menos um ato de controle e mais um acidente feliz, uma rendição à imprevisibilidade do mundo diante da lente. É uma comédia física em sua forma mais pura, mas também um comentário afiado sobre a construção da realidade através do olhar mecânico, onde o fracasso repetido pode, por si só, gerar uma forma singular de arte.

Deixe uma resposta

Comments (

0

)

Descubra mais sobre Românticos Radicais

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading