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Filme: “A Ronda” (1950), Max Ophüls

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Na Viena do final do século, um Mestre de Cerimônias interpretado por Anton Walbrook, com um sorriso que conhece todos os segredos, nos dá as boas-vindas a um carrossel. Este não é um brinquedo para crianças, mas uma metáfora para o ciclo incessante e democrático do desejo. O filme A Ronda, de Max Ophüls, desdobra-se numa cadeia de dez encontros amorosos ou sexuais, onde cada personagem, após a sua cena, se torna o elo para a próxima. Uma prostituta se envolve com um soldado; o soldado, com uma criada; a criada, com o filho de seus patrões; e assim por diante, atravessando todas as barreiras de classe, até que o círculo se fecha de forma elegante e inevitável. A narrativa não se interessa pelo antes ou pelo depois, mas pelo momento transitório da sedução, da promessa e da consumação, frequentemente interrompida pelo corte sagaz do próprio diretor.

A genialidade de Ophüls não reside na premissa, baseada na controversa peça de Arthur Schnitzler, mas na execução visual e tonal. A câmera flui pelos opulentos salões e quartos modestos com uma mobilidade que se tornou a assinatura do cineasta, uma valsa contínua que acompanha as manobras e os jogos de poder dos personagens. O filme observa as fragilidades humanas não com julgamento moral, mas com uma sofisticação agridoce, uma piscadela de cumplicidade. O Mestre de Cerimônias, quebrando a quarta parede, age como o próprio cineasta, um manipulador que expõe a artificialidade do romance e a mecânica previsível da atração. Ele sabe que, independentemente da posição social, do discurso ou da roupa, todos os passageiros de seu carrossel buscam a mesma coisa.

A estrutura circular da narrativa, onde o último elo se conecta ao primeiro, sugere uma espécie de eterno retorno aplicado não aos grandes destinos, mas à mecânica universal e um tanto fútil do desejo. Cada episódio é uma variação do mesmo tema, revelando que as formalidades da aristocracia e a franqueza das ruas são apenas diferentes embalagens para o mesmo impulso fundamental. A Ronda é uma análise precisa da hipocrisia social e da performance que define as relações humanas. É um estudo sobre como o desejo, em sua busca incessante por satisfação, torna todos iguais, girando indefinidamente na mesma melodia melancólica e divertida de um carrossel vienense.

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Na Viena do final do século, um Mestre de Cerimônias interpretado por Anton Walbrook, com um sorriso que conhece todos os segredos, nos dá as boas-vindas a um carrossel. Este não é um brinquedo para crianças, mas uma metáfora para o ciclo incessante e democrático do desejo. O filme A Ronda, de Max Ophüls, desdobra-se numa cadeia de dez encontros amorosos ou sexuais, onde cada personagem, após a sua cena, se torna o elo para a próxima. Uma prostituta se envolve com um soldado; o soldado, com uma criada; a criada, com o filho de seus patrões; e assim por diante, atravessando todas as barreiras de classe, até que o círculo se fecha de forma elegante e inevitável. A narrativa não se interessa pelo antes ou pelo depois, mas pelo momento transitório da sedução, da promessa e da consumação, frequentemente interrompida pelo corte sagaz do próprio diretor.

A genialidade de Ophüls não reside na premissa, baseada na controversa peça de Arthur Schnitzler, mas na execução visual e tonal. A câmera flui pelos opulentos salões e quartos modestos com uma mobilidade que se tornou a assinatura do cineasta, uma valsa contínua que acompanha as manobras e os jogos de poder dos personagens. O filme observa as fragilidades humanas não com julgamento moral, mas com uma sofisticação agridoce, uma piscadela de cumplicidade. O Mestre de Cerimônias, quebrando a quarta parede, age como o próprio cineasta, um manipulador que expõe a artificialidade do romance e a mecânica previsível da atração. Ele sabe que, independentemente da posição social, do discurso ou da roupa, todos os passageiros de seu carrossel buscam a mesma coisa.

A estrutura circular da narrativa, onde o último elo se conecta ao primeiro, sugere uma espécie de eterno retorno aplicado não aos grandes destinos, mas à mecânica universal e um tanto fútil do desejo. Cada episódio é uma variação do mesmo tema, revelando que as formalidades da aristocracia e a franqueza das ruas são apenas diferentes embalagens para o mesmo impulso fundamental. A Ronda é uma análise precisa da hipocrisia social e da performance que define as relações humanas. É um estudo sobre como o desejo, em sua busca incessante por satisfação, torna todos iguais, girando indefinidamente na mesma melodia melancólica e divertida de um carrossel vienense.

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