Jerzy Skolimowski, o mestre polonês por trás de obras viscerais como “O Navio Farol”, crava em “Deep End” um olhar perturbador sobre o despertar sexual e a alienação juvenil. Mike, um adolescente recém-saído da escola, consegue um emprego em um balneário público londrino, um purgatório de azulejos frios e hormônios à flor da pele. Lá, ele se vê obcecado por Susan, uma atendente mais velha, misteriosa e com uma aura de melancolia que ecoa a desesperança da classe trabalhadora britânica do início dos anos 70.
A obsessão de Mike rapidamente se transforma em uma espiral sufocante. O balneário, com sua arquitetura claustrofóbica e o constante burburinho de corpos, se torna um microcosmo da repressão e da incapacidade de comunicação. Susan, por sua vez, parece se divertir com a atenção do garoto, mantendo-o em um jogo de sedução e rejeição que beira a crueldade. Skolimowski, com sua câmera voyeurística e sua direção precisa, captura a angústia de Mike com uma intensidade desconcertante. A atmosfera do filme, impregnada de erotismo latente e uma sensação constante de perigo iminente, evoca a ideia sartreana do inferno como “os outros”.
“Deep End” não oferece redenção fácil ou explicações simplistas. O filme é um estudo de personagem implacável, uma imersão no desespero juvenil e na futilidade da busca por significado em um mundo que parece ter abandonado seus habitantes. O final, abrupto e chocante, reforça a visão pessimista de Skolimowski, deixando o espectador com uma sensação de desconforto e a incerteza de que, por mais que se tente escapar, o abismo sempre estará à espreita.









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