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Filme: “Em Louvor do Nada” (2017), Boris Mitić

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“Em Louvor do Nada”, do realizador sérvio Boris Mitić, emerge como uma obra cinematográfica singular, construída a partir de um vasto arquivo de imagens de stock e tecida pela voz grave e irónica de Iggy Pop. Não se trata de uma narrativa linear, mas sim de um ensaio visual e sonoro que orbita em torno do conceito de vacuidade. A proposta é observar o mundo e a condição humana através da lente do que é ausente, do que resta quando o essencial se desvanece, ou do que, paradoxalmente, preenche o vazio. Mitić compila cenas quotidianas, eventos absurdos e momentos banais, todos aparentemente desconectados, mas unidos pela premissa de que o “nada” é, afinal, uma categoria fundamental da experiência.

A inteligência do filme reside na montagem, que justapõe sequências díspares para criar novas associações e uma camada de significado inesperada. Uma corrida de porcos, um salto de paraquedas falhado ou a quietude de uma rua deserta tornam-se elementos de uma meditação sobre a impermanência e a busca incessante por sentido onde talvez não haja nenhum. A narração de Pop não dita conclusões, mas pontua as imagens com aforismos e observações existenciais que oscilam entre o cínico e o contemplativo, realçando a ironia inerente à nossa existência. Não há personagens, apenas a humanidade em suas múltiplas facetas, observada à distância, como se a própria existência fosse um espetáculo grandioso e, ao mesmo tempo, insignificante.

A obra de Boris Mitić provoca no espectador um exercício de reavaliação da própria percepção. Ela propõe uma dialética incomum: a valorização do ausente para melhor compreender o presente. O filme se alinha, de certa forma, à filosofia do Absurdo, não no sentido niilista da falta de significado, mas na constatação de um descompasso fundamental entre a busca humana por sentido e o silêncio indiferente do universo. Mitić não oferece lições ou conclusões definitivas, mas sim um campo para a auto-reflexão. O filme opera como um catalisador para questionarmos o que realmente preenche nossos dias e o que reside nos interstícios do que consideramos importante. É uma jornada peculiar, que se revela mais pela reverberação das imagens e palavras na mente do observador do que por uma narrativa imposta.

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“Em Louvor do Nada”, do realizador sérvio Boris Mitić, emerge como uma obra cinematográfica singular, construída a partir de um vasto arquivo de imagens de stock e tecida pela voz grave e irónica de Iggy Pop. Não se trata de uma narrativa linear, mas sim de um ensaio visual e sonoro que orbita em torno do conceito de vacuidade. A proposta é observar o mundo e a condição humana através da lente do que é ausente, do que resta quando o essencial se desvanece, ou do que, paradoxalmente, preenche o vazio. Mitić compila cenas quotidianas, eventos absurdos e momentos banais, todos aparentemente desconectados, mas unidos pela premissa de que o “nada” é, afinal, uma categoria fundamental da experiência.

A inteligência do filme reside na montagem, que justapõe sequências díspares para criar novas associações e uma camada de significado inesperada. Uma corrida de porcos, um salto de paraquedas falhado ou a quietude de uma rua deserta tornam-se elementos de uma meditação sobre a impermanência e a busca incessante por sentido onde talvez não haja nenhum. A narração de Pop não dita conclusões, mas pontua as imagens com aforismos e observações existenciais que oscilam entre o cínico e o contemplativo, realçando a ironia inerente à nossa existência. Não há personagens, apenas a humanidade em suas múltiplas facetas, observada à distância, como se a própria existência fosse um espetáculo grandioso e, ao mesmo tempo, insignificante.

A obra de Boris Mitić provoca no espectador um exercício de reavaliação da própria percepção. Ela propõe uma dialética incomum: a valorização do ausente para melhor compreender o presente. O filme se alinha, de certa forma, à filosofia do Absurdo, não no sentido niilista da falta de significado, mas na constatação de um descompasso fundamental entre a busca humana por sentido e o silêncio indiferente do universo. Mitić não oferece lições ou conclusões definitivas, mas sim um campo para a auto-reflexão. O filme opera como um catalisador para questionarmos o que realmente preenche nossos dias e o que reside nos interstícios do que consideramos importante. É uma jornada peculiar, que se revela mais pela reverberação das imagens e palavras na mente do observador do que por uma narrativa imposta.

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