“Gates of Heaven”, de Errol Morris, não é um documentário sobre animais de estimação mortos. É sobre pessoas, e sobre como elas lidam com a morte, o luto e, talvez o mais importante, o cotidiano. O filme, lançado em 1978, examina as consequências do fechamento do Foothill Pet Cemetery na Califórnia e a subsequente abertura do Bubbling Well Pet Memorial Park, um cemitério para animais de estimação mais moderno e, nas palavras de seus proprietários, mais “digno”.
Morris opta por uma abordagem observacional, deixando que os personagens falem por si, sem narração ou intervenção direta. Vemos a família Harberts, proprietários do Foothill, lidando com o fracasso do negócio e as inevitáveis comparações com a concorrência. Conhecemos também os filhos de Floyd McClure, o idealista por trás do Bubbling Well, cada um com sua própria visão sobre a vida, a morte e o papel dos animais de estimação em tudo isso.
O que emerge não é um retrato sentimental ou explorador, mas sim uma meditação sobre a banalidade da existência. As entrevistas, muitas vezes longas e aparentemente desconexas, revelam as crenças, as esperanças e as frustrações de pessoas comuns. A morte dos animais de estimação serve como um catalisador, expondo as camadas mais profundas de suas personalidades e suas visões de mundo. O filme ecoa, de forma inesperada, o conceito de “amor fati” de Nietzsche: a aceitação do destino, mesmo com suas imperfeições e absurdos. “Gates of Heaven” não busca glorificar ou criticar a cultura dos animais de estimação; ele simplesmente a observa, com um olhar perspicaz e sutilmente humorístico, revelando algo profundo sobre a condição humana.









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