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Filme: “Attenberg” (2010), Athina Rachel Tsangari

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Em uma cidade industrial grega, uma relíquia arquitetônica de um futuro que nunca chegou, Marina, de 23 anos, navega pela vida com a curiosidade de uma antropóloga estudando uma tribo desconhecida. Seu mundo é pequeno e hermético, delimitado pelas interações com seu pai, um arquiteto modernista em fase terminal, e sua única amiga, a sexualmente experiente Bella. O filme de Athina Rachel Tsangari se desenrola a partir desta premissa aparentemente simples, mas constrói um retrato singular sobre o estranhamento diante dos rituais humanos mais básicos: sexo, morte e socialização. Marina, interpretada com uma precisão física notável por Ariane Labed, parece repelir qualquer intimidade ou emoção convencional, observando tudo com uma distância quase científica.

Seu único manual de instruções para o comportamento humano são os documentários de David Attenborough, cujos rituais de acasalamento e vida selvagem ela e Bella reencenam em coreografias desajeitadas e fascinantes. Essas imitações de gorilas ou pássaros não são apenas um escape cômico; funcionam como uma tentativa de decodificar os gestos e impulsos que, para ela, parecem absurdos e inexplicáveis. Quando um engenheiro chega à cidade, ele se torna o objeto de seu primeiro experimento sexual, uma exploração desprovida de romantismo e conduzida com a mesma curiosidade clínica com que ela assiste aos documentários. A câmera de Tsangari captura essa dinâmica com uma secura que é ao mesmo tempo desconfortável e profundamente honesta, recusando-se a sentimentalizar a jornada de sua protagonista.

O filme examina a falência da linguagem herdada para lidar com as grandes passagens da vida. O pai de Marina, um homem de lógica e estrutura, tenta racionalizar sua própria morte, ensinando à filha a terminologia correta para o suicídio como se fosse uma última lição de arquitetura. Diante da inadequação das palavras para descrever o luto ou o desejo, Marina recorre ao corpo como um léxico primário, uma forma de experimentar o mundo sem o filtro das convenções sociais. Ela aprende sobre a vida e a morte não através de conceitos, mas de sensações, gestos e imitações, construindo para si um vocabulário próprio para existir.

Attenberg é uma peça fundamental da chamada Onda Estranha Grega, um cinema que responde à crise social e existencial com uma estética de absurdo e alienação. Athina Rachel Tsangari cria uma obra que é simultaneamente um estudo de personagem e um diagnóstico preciso de uma sensibilidade geracional, presa entre o colapso das ideologias do passado e a incerteza de um futuro sem roteiro. O resultado é um filme peculiar e inteligente sobre o que significa aprender a ser humano quando os modelos disponíveis já não fazem sentido.

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Em uma cidade industrial grega, uma relíquia arquitetônica de um futuro que nunca chegou, Marina, de 23 anos, navega pela vida com a curiosidade de uma antropóloga estudando uma tribo desconhecida. Seu mundo é pequeno e hermético, delimitado pelas interações com seu pai, um arquiteto modernista em fase terminal, e sua única amiga, a sexualmente experiente Bella. O filme de Athina Rachel Tsangari se desenrola a partir desta premissa aparentemente simples, mas constrói um retrato singular sobre o estranhamento diante dos rituais humanos mais básicos: sexo, morte e socialização. Marina, interpretada com uma precisão física notável por Ariane Labed, parece repelir qualquer intimidade ou emoção convencional, observando tudo com uma distância quase científica.

Seu único manual de instruções para o comportamento humano são os documentários de David Attenborough, cujos rituais de acasalamento e vida selvagem ela e Bella reencenam em coreografias desajeitadas e fascinantes. Essas imitações de gorilas ou pássaros não são apenas um escape cômico; funcionam como uma tentativa de decodificar os gestos e impulsos que, para ela, parecem absurdos e inexplicáveis. Quando um engenheiro chega à cidade, ele se torna o objeto de seu primeiro experimento sexual, uma exploração desprovida de romantismo e conduzida com a mesma curiosidade clínica com que ela assiste aos documentários. A câmera de Tsangari captura essa dinâmica com uma secura que é ao mesmo tempo desconfortável e profundamente honesta, recusando-se a sentimentalizar a jornada de sua protagonista.

O filme examina a falência da linguagem herdada para lidar com as grandes passagens da vida. O pai de Marina, um homem de lógica e estrutura, tenta racionalizar sua própria morte, ensinando à filha a terminologia correta para o suicídio como se fosse uma última lição de arquitetura. Diante da inadequação das palavras para descrever o luto ou o desejo, Marina recorre ao corpo como um léxico primário, uma forma de experimentar o mundo sem o filtro das convenções sociais. Ela aprende sobre a vida e a morte não através de conceitos, mas de sensações, gestos e imitações, construindo para si um vocabulário próprio para existir.

Attenberg é uma peça fundamental da chamada Onda Estranha Grega, um cinema que responde à crise social e existencial com uma estética de absurdo e alienação. Athina Rachel Tsangari cria uma obra que é simultaneamente um estudo de personagem e um diagnóstico preciso de uma sensibilidade geracional, presa entre o colapso das ideologias do passado e a incerteza de um futuro sem roteiro. O resultado é um filme peculiar e inteligente sobre o que significa aprender a ser humano quando os modelos disponíveis já não fazem sentido.

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