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Filme: “Perfect Sense” (2011), David Mackenzie

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“Perfect Sense”, de David Mackenzie, é um filme que sussurra o apocalipse em vez de gritá-lo. Eva Green e Ewan McGregor protagonizam uma história de amor que floresce em meio a uma pandemia bizarra: as pessoas, inexplicavelmente, começam a perder seus sentidos. Primeiro, o olfato, seguido de um ataque de melancolia incontrolável. Depois, o paladar, acompanhado de uma fúria indomável. E a progressão continua.

A narrativa acompanha Anna, uma epidemiologista, e Michael, um chef de cozinha, enquanto eles se encontram e se apaixonam em Glasgow. O relacionamento deles serve como um contraponto à desintegração sensorial que se espalha pelo mundo, um microcosmo de intimidade e conexão em face da perda. Mackenzie evita o sensacionalismo, optando por uma abordagem contemplativa e focada nos personagens. O filme não é sobre a busca por uma cura ou a explicação para a doença, mas sim sobre como as pessoas reagem e se adaptam quando o mundo ao seu redor se torna cada vez mais silencioso, insípido, invisível.

A beleza do filme reside na sua exploração da conexão humana em um mundo que está perdendo a capacidade de se conectar. Como se ama quando o toque é tudo o que resta? Como se comunica quando a fala se torna inútil? “Perfect Sense” não oferece soluções fáceis, mas sugere que a empatia e o amor podem ser encontrados mesmo no vazio. A obra ressoa com uma certa melancolia existencial, lembrando-nos da fragilidade dos nossos sentidos e da importância das experiências compartilhadas, mesmo que efêmeras. O filme, assim, tangencia a ideia de “amor fati” de Nietzsche, uma aceitação do destino, mesmo que este signifique a perda inevitável.

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“Perfect Sense”, de David Mackenzie, é um filme que sussurra o apocalipse em vez de gritá-lo. Eva Green e Ewan McGregor protagonizam uma história de amor que floresce em meio a uma pandemia bizarra: as pessoas, inexplicavelmente, começam a perder seus sentidos. Primeiro, o olfato, seguido de um ataque de melancolia incontrolável. Depois, o paladar, acompanhado de uma fúria indomável. E a progressão continua.

A narrativa acompanha Anna, uma epidemiologista, e Michael, um chef de cozinha, enquanto eles se encontram e se apaixonam em Glasgow. O relacionamento deles serve como um contraponto à desintegração sensorial que se espalha pelo mundo, um microcosmo de intimidade e conexão em face da perda. Mackenzie evita o sensacionalismo, optando por uma abordagem contemplativa e focada nos personagens. O filme não é sobre a busca por uma cura ou a explicação para a doença, mas sim sobre como as pessoas reagem e se adaptam quando o mundo ao seu redor se torna cada vez mais silencioso, insípido, invisível.

A beleza do filme reside na sua exploração da conexão humana em um mundo que está perdendo a capacidade de se conectar. Como se ama quando o toque é tudo o que resta? Como se comunica quando a fala se torna inútil? “Perfect Sense” não oferece soluções fáceis, mas sugere que a empatia e o amor podem ser encontrados mesmo no vazio. A obra ressoa com uma certa melancolia existencial, lembrando-nos da fragilidade dos nossos sentidos e da importância das experiências compartilhadas, mesmo que efêmeras. O filme, assim, tangencia a ideia de “amor fati” de Nietzsche, uma aceitação do destino, mesmo que este signifique a perda inevitável.

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