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Filme: “Berberian Sound Studio” (2012), Peter Strickland

“Berberian Sound Studio”, dirigido por Peter Strickland, leva o espectador para a Itália da década de 1970, onde o engenheiro de som britânico Gilderoy chega para trabalhar em um filme de terror giallo chamado “The Equestrian Vortex”. De natureza pacata e meticulosa, Gilderoy é lançado em um universo estrangeiro e caótico, habitado por produtores excêntricos…


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“Berberian Sound Studio”, dirigido por Peter Strickland, leva o espectador para a Itália da década de 1970, onde o engenheiro de som britânico Gilderoy chega para trabalhar em um filme de terror giallo chamado “The Equestrian Vortex”. De natureza pacata e meticulosa, Gilderoy é lançado em um universo estrangeiro e caótico, habitado por produtores excêntricos e um diretor temperamental, todos imersos na criação de uma obra que ele inicialmente vê com certa estranheza e desconforto. Sua tarefa principal é criar os sons viscerais e perturbadores que darão vida às cenas brutais, utilizando técnicas analógicas e objetos prosaicos – como vegetais esmagados e melões perfurados – para simular os horrores na tela.

À medida que os dias se transformam em semanas dentro das cabines à prova de som do estúdio, a distinção entre a realidade do estúdio e a ficção grotesca que Gilderoy ajuda a construir começa a se esvanecer. O filme se aprofunda na experiência sensorial e na psique de seu protagonista, onde a repetição exaustiva dos sons de violência e o ambiente isolado do estúdio corroem gradualmente sua sanidade. Strickland habilmente transforma a prática do *foley* em uma ferramenta para explorar a desorientação e a paranoia, sugerindo que a imersão na criação de terror psicológico pode ser tão desestabilizadora quanto o próprio terror. O som, mais do que um elemento narrativo, se torna o próprio terreno da experiência, um reino onde a materialidade das ondas sonoras assume uma presença quase tátil, moldando a percepção da realidade de Gilderoy e, por extensão, a do público.

O filme opera como uma meditação sobre a natureza da autoria e o ciclo da criação artística. Aborda como o processo de representação, especialmente de eventos extremos, pode envolver o artista em um ciclo de repetição que subverte a própria noção de originalidade e realidade. Gilderoy, ao manipular e reproduzir o terror em seu mais puro estado sonoro, descobre-se preso em uma lógica recursiva, onde a fabricação da ilusão começa a colonizar a verdade. “Berberian Sound Studio” se estabelece como uma obra singular que mergulha no processo criativo com uma atmosfera opressiva e um rigor formal que cativa, explorando o impacto subliminar da arte na mente humana e a forma como a ficção pode ressoar com uma autenticidade perturbadora.


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