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Filme: “Nosedive” (2016), Joe Wright

Lacie Pound vive em um futuro próximo onde o status social é medido por um sistema de avaliação pública, quase uma meritocracia invertida. Cada interação, cada sorriso forçado, cada curtida meticulosamente calculada, contribui para uma pontuação que define o acesso a moradia, empregos e até relacionamentos. Lacie, obcecada em ascender socialmente, vê uma oportunidade de…


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Lacie Pound vive em um futuro próximo onde o status social é medido por um sistema de avaliação pública, quase uma meritocracia invertida. Cada interação, cada sorriso forçado, cada curtida meticulosamente calculada, contribui para uma pontuação que define o acesso a moradia, empregos e até relacionamentos. Lacie, obcecada em ascender socialmente, vê uma oportunidade de ouro quando é convidada para ser madrinha de casamento de Naomi, uma amiga de infância que alcançou o cobiçado status de 4.8.

A jornada de Lacie até o casamento de Naomi se transforma em uma descida vertiginosa ao inferno da autenticidade perdida. Sua busca desesperada por aprovação a leva a uma série de encontros desastrosos, cada um deles derrubando sua pontuação e revelando a fragilidade do sistema. No asfalto, em meio a alugueis de carro cancelados, interações grotescas e até a prisão, ela encontra pessoas renegadas que a fazem repensar o valor de um mundo onde a aprovação virtual define a existência. A distopia de “Nosedive” não é uma projeção de um futuro distante, mas sim uma lente que distorce e amplia as nossas próprias obsessões com a validação social e a performance online.

O episódio, dirigido por Joe Wright e escrito por Michael Schur e Rashida Jones, opera como uma fábula moderna sobre a busca por autenticidade em uma cultura obcecada pela aprovação alheia. O filme não demonstra um maniqueísmo simplista, mas explora as complexidades da natureza humana, revelando como a busca por aceitação pode nos levar a sacrificar nossa individualidade e bem-estar emocional. “Nosedive” nos força a questionar o preço que estamos dispostos a pagar pela validação social e a repensar o valor da autenticidade em um mundo cada vez mais moldado por algoritmos. A crítica à busca incessante pela aprovação social, nos transporta à discussão levantada pelo filósofo Jean-Paul Sartre, sobre a má-fé, a autonegação, e o nosso constante desejo de sermos o que o outro espera que sejamos.


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