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Filme: “Fora de Série” (2019), Olivia Wilde

Na véspera da formatura, as melhores amigas e sumidades acadêmicas Molly e Amy descobrem uma verdade inconveniente: os colegas que passaram os últimos quatro anos em festas e romances também foram aceitos em universidades de prestígio. A constatação de que o sacrifício delas pode ter sido em vão detona uma crise existencial e acende o…


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Na véspera da formatura, as melhores amigas e sumidades acadêmicas Molly e Amy descobrem uma verdade inconveniente: os colegas que passaram os últimos quatro anos em festas e romances também foram aceitos em universidades de prestígio. A constatação de que o sacrifício delas pode ter sido em vão detona uma crise existencial e acende o pavio para uma missão desesperada. Em uma única noite, as duas decidem compensar todo o tempo perdido, mergulhando de cabeça no caos social que sempre observaram com superioridade intelectual. A premissa, familiar ao gênero de comédia adolescente, é apenas o ponto de partida para a estreia diretorial de Olivia Wilde, uma obra que pulsa com uma energia contagiante e uma inteligência afiada que raramente se vê em filmes sobre o fim do ensino médio.

A força de ‘Fora de Série’ reside na dinâmica impecável entre Molly, a futura política com uma autoconfiança quase intimidadora interpretada por Beanie Feldstein, e Amy, a ativista mais contida e vulnerável vivida por Kaitlyn Dever. A amizade delas é o motor narrativo e emocional, uma relação de codependência intelectual e afeto genuíno que o roteiro explora com humor e sensibilidade. Wilde conduz a narrativa com uma segurança estilística notável, utilizando uma paleta de cores vibrantes, uma trilha sonora eclética e soluções visuais criativas que elevam as situações cômicas para além do esperado. A jornada delas é uma busca caótica e hilária por um tipo de meio-termo aristotélico, uma tentativa de conciliar os extremos de uma vida dedicada aos livros com a promessa de experiências não vividas, descobrindo no processo que as pessoas são mais complexas do que os arquétipos que elas mesmas criaram.

O que diferencia a obra é sua recusa em simplificar seus personagens. Os coadjuvantes que Molly e Amy encontram em sua odisseia noturna, do skatista descolado à garota popular, revelam camadas inesperadas, desmontando os clichês que as protagonistas, e o público, projetam sobre eles. O filme captura com precisão a ansiedade e a arrogância da juventude brilhante, aquela sensação de se saber muito sobre o mundo através dos livros, mas quase nada sobre as pessoas que o habitam. É uma comédia sobre o rito de passagem que reconhece a inteligência de sua audiência, entregando diálogos rápidos e piadas que funcionam em múltiplos níveis, ao mesmo tempo em que investiga as inseguranças e a ternura por trás das fachadas de autossuficiência. O resultado é um olhar fresco e espirituoso sobre amizade, identidade e a percepção tardia de que a vida real acontece fora da sala de aula.


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