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Filme: "Vengeance" (2009), Johnnie To

Filme: “Vengeance” (2009), Johnnie To

Em Vengeance (2009), Johnnie To dirige a jornada de um chef por Macau em busca de vingança pela família, enfrentando perigos e a própria memória.


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Em ‘Vengeance’, Johnnie To, o aclamado realizador do cinema de ação de Hong Kong, coreografa uma odisséia de retribuição que se desenrola nos becos iluminados por néon de Macau. A trama central segue Francis Costello, um chef parisiense de semblante cansado interpretado por Johnny Hallyday, cuja vida é virada de cabeça para baixo quando sua filha, seu genro e os netos são brutalmente atacados. Impulsionado por uma dor silenciosa e um senso inabalável de dever, Costello viaja para a cidade portuária com um único propósito: encontrar e punir os responsáveis. Sem contatos na criminalidade local, ele se depara com um trio de assassinos profissionais, Kwai, Chu e Fat, homens de poucas palavras e muita eficácia, que ele contrata para auxiliá-lo em sua caçada.

A partir desse ponto, ‘Vengeance’ desdobra-se em uma série de confrontos meticulosamente orquestrados, que são a marca registrada de To. As sequências de tiroteio não são meros espetáculos de violência gratuita; são balés letais de coreografia precisa, onde a geografia urbana e os elementos do ambiente são tão importantes quanto o calibre das armas. A fotografia, muitas vezes banhada em tons frios e contrastes acentuados, amplifica a atmosfera sombria e a brutalidade inerente à missão de Costello. O filme explora a dinâmica que se forma entre o forasteiro em busca de acerto de contas e o trio de mercenários, desenvolvendo uma camaradagem baseada em códigos de lealdade e profissionalismo em um mundo onde a vida tem um preço tangível.

Contudo, a busca de Costello é complicada por uma condição médica que começa a corroer sua memória, tornando-o cada vez mais dependente das lembranças e da assistência de seus novos aliados para manter o curso de sua retribuição. Essa falha de memória adiciona uma camada de urgência e uma dose de patetismo à sua jornada, levantando questões sobre a natureza da própria vingança: ela é um objetivo concreto ou uma performance ritualística que se desvanece junto com a capacidade de recordar o porquê de se ter começado? A fragilidade da memória aqui não é apenas um artifício de enredo; ela funciona como uma meditação sobre a impermanência da dor e da motivação, sugerindo que, sem a plena recordação, a própria busca por reparação pode se tornar um ciclo sem fim, esvaziado de seu significado original. Johnnie To, com sua direção característica, oferece uma obra que, embora mergulhada na ação, também pondera sobre o custo humano da violência e a ética nebulosa do acerto de contas. ‘Vengeance’ é um exame seco e elegante sobre a persistência da vontade humana diante da perda e da inevitável passagem do tempo, um filme que solidifica o lugar de To entre os grandes mestres do thriller de ação.


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