Cultivando arte e cultura insurgentes


Todo mundo quer uma opressão para chamar de sua

Criamos narrativas de infortúnio e injustiça, pintando-nos como heróis lutando contra um sistema opressor, tudo para ganhar alguns minutos de fama virtual

Todo mundo quer uma opressão para chamar de sua

Criamos narrativas de infortúnio e injustiça, pintando-nos como heróis lutando contra um sistema opressor, tudo para ganhar alguns minutos de fama virtual

Avatar de Hernandes Matias Junior

Siga: Twitter Instagram

Na era das redes sociais, onde cada um de nós é o protagonista de sua própria novela exibida diariamente no Instagram, parece que a busca incessante por atenção atingiu um novo patamar. E não podemos negar que a criatividade humana, quando alimentada pela ânsia de likes e retweets, é capaz de nos surpreender a cada dia.

Hoje chegou até mim uma história peculiar que ilustra perfeitamente essa sede por uma narrativa de vitimização. Trata-se de um homem aparentemente acima do peso que, não achando o bastante as críticas proferidas por outras pessoas a seu corpo, decidiu inovar e criar uma nova história onde ele é o protagonista.

O indivíduo resolveu criar um fake no Instagram. Atuando na clandestinidade das redes sociais, esse ás da manipulação virtual xingou a si mesmo, inventando ofensas gordofóbicas em resposta a um story em seu perfil original. A façanha pode parecer sem sentido, mas o objetivo era claro: tirar print da mensagem e postar no Twitter, a plataforma por excelência das indignações contemporâneas, a fim de ganhar alguns likes e retweets.


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Aparentemente, se colocar como uma vítima virou moda. É como se as pessoas estivessem buscando desesperadamente um reconhecimento por um sofrimento, e para isso não se furtam a mentir. Afinal, quem precisa de uma opressão real quando se pode criar uma ficção tão convincente quanto as novelas da Globo?

Criamos narrativas de infortúnio e injustiça, pintando-nos como heróis lutando contra um sistema opressor, tudo para ganhar alguns minutos de fama virtual.

Em um mundo onde a narrativa é mais importante do que a realidade, a linha entre a verdade e a mentira parece tornar-se cada vez mais tênue. O que antes era um espaço para compartilhar momentos reais da vida transformou-se em um palco de representações elaboradas, onde interpretamos papéis de vítimas em busca de simpatia e reconhecimento.

Assim, na sociedade do espetáculo em que vivemos, não é de se surpreender que até mesmo as opressões sejam fabricadas. Afinal, quem precisa enfrentar desafios reais quando se pode inventar um drama convincente e colher os frutos da compaixão virtual?

Em tempos onde a autenticidade é um bem raro, talvez seja hora de repensarmos nossas estratégias para conquistar a atenção alheia. Afinal, no teatro da vida online, todos querem ser a estrela da novela, ainda que para isso seja necessário criar um enredo tão improvável quanto uma história de amor em horário nobre.

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Na era das redes sociais, onde cada um de nós é o protagonista de sua própria novela exibida diariamente no Instagram, parece que a busca incessante por atenção atingiu um novo patamar. E não podemos negar que a criatividade humana, quando alimentada pela ânsia de likes e retweets, é capaz de nos surpreender a cada dia.

Hoje chegou até mim uma história peculiar que ilustra perfeitamente essa sede por uma narrativa de vitimização. Trata-se de um homem aparentemente acima do peso que, não achando o bastante as críticas proferidas por outras pessoas a seu corpo, decidiu inovar e criar uma nova história onde ele é o protagonista.

O indivíduo resolveu criar um fake no Instagram. Atuando na clandestinidade das redes sociais, esse ás da manipulação virtual xingou a si mesmo, inventando ofensas gordofóbicas em resposta a um story em seu perfil original. A façanha pode parecer sem sentido, mas o objetivo era claro: tirar print da mensagem e postar no Twitter, a plataforma por excelência das indignações contemporâneas, a fim de ganhar alguns likes e retweets.


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Aparentemente, se colocar como uma vítima virou moda. É como se as pessoas estivessem buscando desesperadamente um reconhecimento por um sofrimento, e para isso não se furtam a mentir. Afinal, quem precisa de uma opressão real quando se pode criar uma ficção tão convincente quanto as novelas da Globo?

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Em um mundo onde a narrativa é mais importante do que a realidade, a linha entre a verdade e a mentira parece tornar-se cada vez mais tênue. O que antes era um espaço para compartilhar momentos reais da vida transformou-se em um palco de representações elaboradas, onde interpretamos papéis de vítimas em busca de simpatia e reconhecimento.

Assim, na sociedade do espetáculo em que vivemos, não é de se surpreender que até mesmo as opressões sejam fabricadas. Afinal, quem precisa enfrentar desafios reais quando se pode inventar um drama convincente e colher os frutos da compaixão virtual?

Em tempos onde a autenticidade é um bem raro, talvez seja hora de repensarmos nossas estratégias para conquistar a atenção alheia. Afinal, no teatro da vida online, todos querem ser a estrela da novela, ainda que para isso seja necessário criar um enredo tão improvável quanto uma história de amor em horário nobre.

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