No Brasil de 1990, um país convulsionado pela crise econômica onde o confisco da poupança aniquilou sonhos e a esperança se esvaía como areia entre os dedos, o jovem Paco, recém-órfão e despojado de qualquer futuro imediato pela falência do sistema, embarca numa odisseia desesperada. Seu destino: Lisboa, a tão sonhada terra prometida. Sua bagagem: um misterioso pacote, contendo a única ponte para uma nova vida – ou o último vestígio de uma antiga – e um passaporte falso.
Lisboa, contudo, revela-se um labirinto de becos escuros e verdades amargas, um refúgio precário para almas à deriva. É lá que ele cruza caminho com Alex, uma brasileira exilada, bela e enigmática, cuja voz embriaga a noite nos clubes decadentes e cujo passado esconde cicatrizes tão profundas quanto as de Paco. A busca de Paco por um endereço se entrelaça com a luta de Alex por redenção em um submundo de contrabandos, identidades falsas e desespero silencioso.
Mais do que uma jornada física através do Atlântico, “Terra Estrangeira” é uma descida vertiginosa ao abismo da alma expatriada. É a dolorosa constatação de que, longe de casa, o vazio pode ser ainda maior, e a busca por um lugar no mundo se transforma numa eterna fuga de si mesmo. Até que ponto a necessidade impulsiona a transgressão? Quando a pátria se torna uma memória distante e a nova terra é um espelho distorcido da antiga, onde reside a verdadeira identidade? Um grito silencioso de uma geração perdida, que trocou a segurança ilusória por uma liberdade sem chão, este filme é um mergulho visceral na alienação e na resiliência de quem se vê, de repente, um estranho em qualquer lugar, condenado a construir um futuro sobre as ruínas de um passado irrecuperável. Um filme que não oferece respostas fáceis, mas provoca reflexões profundas sobre o que significa pertencer – ou não – a algum lugar neste vasto e indiferente mundo.
“Terra Estrangeira” está disponível no MUBI.









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