Em Vampyr, de Carl Theodor Dreyer, não há sustos fáceis, mas uma imersão gradual num pesadelo. Allan Gray, um estudante com fascínio pelo oculto, hospeda-se numa hospedaria decadente em Courtempierre. A quietude rural é perturbada por sussurros de vampirismo e uma atmosfera de pavor palpável. Gray, guiado por visões oníricas e encontros enigmáticos, envolve-se numa trama sinistra que envolve duas irmãs, Gisèle e Léone, e uma velha senhora com sede insaciável.
A beleza de Vampyr reside na sua abordagem atmosférica. Dreyer utiliza iluminação etérea, ângulos de câmara não convencionais e edição fragmentada para criar uma sensação de desorientação e irrealidade. A narrativa avança mais por sugestões visuais e sonoras do que por diálogos explicativos. A fronteira entre sonho e realidade torna-se fluida, lançando dúvidas sobre a sanidade de Gray e a veracidade dos eventos que testemunha.
O filme, distante de uma simples narrativa de terror, ecoa a dialética hegeliana entre o ser e o nada. Gray, inicialmente um observador passivo, é confrontado com a aniquilação gradual da vida, a “nada” que se manifesta no vampirismo. A sua jornada é uma luta para afirmar a existência, para preencher o vazio que ameaça engolir Courtempierre. A salvação das irmãs e a destruição da vampira representam, em última análise, a vitória do ser sobre o nada, ainda que a um custo psicológico indelével para o protagonista.









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