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Félix Maritaud é um statement do cinema queer

Félix Maritaud é um dos nomes mais consistentes do cinema queer atual. Com filmes como 120 BPM, Sauvage e Jonas, o ator francês construiu uma trajetória marcada por personagens intensos, vulneráveis e marginais

Félix Maritaud é um statement do cinema queer

Félix Maritaud é um dos nomes mais consistentes do cinema queer atual. Com filmes como 120 BPM, Sauvage e Jonas, o ator francês construiu uma trajetória marcada por personagens intensos, vulneráveis e marginais

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Se Félix Maritaud fosse da cena ballroom, seu lugar seria claro: statement. Ele não é alguém que apareceu uma vez e sumiu, nem um rosto que virou moda por um tempo. Ele tem um percurso consistente, já marcou presença em filmes importantes, construiu um corpo de trabalho que fala por si. No cinema queer, ele já é conhecido como alguém que se entrega a personagens difíceis, complexos, muitas vezes à margem. É justamente isso que o torna um nome a ser lembrado.

Félix nasceu em 1992, na cidade de Nevers, no interior da França. Começou a atuar por volta dos 25 anos e, desde então, tem escolhido papéis que mostram outras formas de viver, amar e sobreviver, especialmente dentro do universo LGBTQIA+. Ele não interpreta o gay “idealizado” que costuma aparecer em algumas comédias românticas. Seus personagens são mais viscerais, mais vulneráveis, às vezes mais solitários. E talvez por isso mesmo mais reais.

120 Batimentos por Minuto (2017)

Foi com esse filme que ele apareceu para o grande público. A história gira em torno do grupo ACT UP, coletivo de ativistas que lutava por acesso a medicamentos e pelo fim da negligência durante a crise da AIDS na França dos anos 90. Félix tem um papel coadjuvante, mas marcante. O filme ganhou destaque em Cannes e ajudou a mostrar que ele tinha algo diferente: uma atuação menos polida, mais direta, mais física. Ele chamou atenção sem forçar.

Sauvage (2018)

Esse é talvez o seu filme mais conhecido — e o mais intenso. Ele interpreta Léo, um garoto de programa que vive nas ruas, sem família, sem casa, sem plano de futuro. O filme não tem muito filtro. Mostra o cotidiano de um jovem que sobrevive do jeito que pode, se envolve com clientes, busca afeto onde encontra. A atuação de Maritaud é forte porque ele parece mesmo dentro daquele corpo, daquela rotina. É um filme sobre alguém que existe à margem, sem glamour, mas com muita necessidade de conexão. É difícil de assistir, mas importante.

Un couteau dans le cœur (2018)

No mesmo ano, ele aparece nesse longa do diretor Yann Gonzalez, ambientado no mundo do pornô gay nos anos 1970. A protagonista é interpretada por Vanessa Paradis, que vive uma produtora de filmes eróticos. Maritaud faz parte desse universo como ator pornô. O filme mistura suspense, violência, sexo e tem um visual bem estilizado. Aqui ele aparece menos, mas ainda assim se destaca como um corpo presente nesse mundo paralelo e exagerado. Mostra outro lado dele — mais performático, mais ligado à estética do desejo.

Jonas (2018)

Essa produção foi lançada como minissérie na TV francesa e depois virou filme na Netflix. A história mostra a relação de Jonas com um garoto chamado Nathan, vivido por Maritaud. Eles vivem um primeiro amor, desses que marcam. Mas algo acontece e muda tudo. A narrativa vai e volta no tempo, acompanhando Jonas ainda jovem e depois já adulto. O personagem de Maritaud é o tipo de figura que fica na memória de quem viveu uma paixão intensa e breve. Ele representa esse amor que transforma, mas também machuca.

Dodo (2022)

Nesse filme grego dirigido por Panos Koutras, Maritaud entra num universo mais absurdo e cômico. A história gira em torno de uma família decadente prestes a casar a filha com um bilionário árabe, quando um pássaro extinto — o dodô — reaparece. É um filme mais leve, estranho e fora dos padrões. Aqui, Félix mostra que também consegue navegar em outras linguagens, com mais humor e teatralidade, sem perder sua identidade.


Félix Maritaud talvez não seja um nome famoso para quem não acompanha o cinema francês ou o circuito de festivais. Mas dentro do cinema queer, ele já tem um lugar bem definido. Ele costuma escolher papéis que não romantizam a vivência LGBTQIA+, mas que a mostram com mais complexidade — incluindo suas dores, seus limites e seus desejos.

Na cena ballroom, statement é quem já provou o que veio fazer. Alguém que não precisa mais se apresentar — sua trajetória fala por ele. É assim que Maritaud se posiciona no cinema: com escolhas conscientes, um corpo que não é apenas imagem, mas ferramenta narrativa. Ele não está interessado em agradar, mas em existir de forma honesta e intensa.

Para quem quer conhecer melhor o cinema queer contemporâneo, especialmente aquele feito fora do eixo hollywoodiano, Félix Maritaud é um bom ponto de partida. Seus filmes são um convite a olhar mais de perto o que muitas vezes é invisibilizado: o afeto nas margens, o desejo sem moldura, o corpo como linguagem.

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Se Félix Maritaud fosse da cena ballroom, seu lugar seria claro: statement. Ele não é alguém que apareceu uma vez e sumiu, nem um rosto que virou moda por um tempo. Ele tem um percurso consistente, já marcou presença em filmes importantes, construiu um corpo de trabalho que fala por si. No cinema queer, ele já é conhecido como alguém que se entrega a personagens difíceis, complexos, muitas vezes à margem. É justamente isso que o torna um nome a ser lembrado.

Félix nasceu em 1992, na cidade de Nevers, no interior da França. Começou a atuar por volta dos 25 anos e, desde então, tem escolhido papéis que mostram outras formas de viver, amar e sobreviver, especialmente dentro do universo LGBTQIA+. Ele não interpreta o gay “idealizado” que costuma aparecer em algumas comédias românticas. Seus personagens são mais viscerais, mais vulneráveis, às vezes mais solitários. E talvez por isso mesmo mais reais.

120 Batimentos por Minuto (2017)

Foi com esse filme que ele apareceu para o grande público. A história gira em torno do grupo ACT UP, coletivo de ativistas que lutava por acesso a medicamentos e pelo fim da negligência durante a crise da AIDS na França dos anos 90. Félix tem um papel coadjuvante, mas marcante. O filme ganhou destaque em Cannes e ajudou a mostrar que ele tinha algo diferente: uma atuação menos polida, mais direta, mais física. Ele chamou atenção sem forçar.

Sauvage (2018)

Esse é talvez o seu filme mais conhecido — e o mais intenso. Ele interpreta Léo, um garoto de programa que vive nas ruas, sem família, sem casa, sem plano de futuro. O filme não tem muito filtro. Mostra o cotidiano de um jovem que sobrevive do jeito que pode, se envolve com clientes, busca afeto onde encontra. A atuação de Maritaud é forte porque ele parece mesmo dentro daquele corpo, daquela rotina. É um filme sobre alguém que existe à margem, sem glamour, mas com muita necessidade de conexão. É difícil de assistir, mas importante.

Un couteau dans le cœur (2018)

No mesmo ano, ele aparece nesse longa do diretor Yann Gonzalez, ambientado no mundo do pornô gay nos anos 1970. A protagonista é interpretada por Vanessa Paradis, que vive uma produtora de filmes eróticos. Maritaud faz parte desse universo como ator pornô. O filme mistura suspense, violência, sexo e tem um visual bem estilizado. Aqui ele aparece menos, mas ainda assim se destaca como um corpo presente nesse mundo paralelo e exagerado. Mostra outro lado dele — mais performático, mais ligado à estética do desejo.

Jonas (2018)

Essa produção foi lançada como minissérie na TV francesa e depois virou filme na Netflix. A história mostra a relação de Jonas com um garoto chamado Nathan, vivido por Maritaud. Eles vivem um primeiro amor, desses que marcam. Mas algo acontece e muda tudo. A narrativa vai e volta no tempo, acompanhando Jonas ainda jovem e depois já adulto. O personagem de Maritaud é o tipo de figura que fica na memória de quem viveu uma paixão intensa e breve. Ele representa esse amor que transforma, mas também machuca.

Dodo (2022)

Nesse filme grego dirigido por Panos Koutras, Maritaud entra num universo mais absurdo e cômico. A história gira em torno de uma família decadente prestes a casar a filha com um bilionário árabe, quando um pássaro extinto — o dodô — reaparece. É um filme mais leve, estranho e fora dos padrões. Aqui, Félix mostra que também consegue navegar em outras linguagens, com mais humor e teatralidade, sem perder sua identidade.


Félix Maritaud talvez não seja um nome famoso para quem não acompanha o cinema francês ou o circuito de festivais. Mas dentro do cinema queer, ele já tem um lugar bem definido. Ele costuma escolher papéis que não romantizam a vivência LGBTQIA+, mas que a mostram com mais complexidade — incluindo suas dores, seus limites e seus desejos.

Na cena ballroom, statement é quem já provou o que veio fazer. Alguém que não precisa mais se apresentar — sua trajetória fala por ele. É assim que Maritaud se posiciona no cinema: com escolhas conscientes, um corpo que não é apenas imagem, mas ferramenta narrativa. Ele não está interessado em agradar, mas em existir de forma honesta e intensa.

Para quem quer conhecer melhor o cinema queer contemporâneo, especialmente aquele feito fora do eixo hollywoodiano, Félix Maritaud é um bom ponto de partida. Seus filmes são um convite a olhar mais de perto o que muitas vezes é invisibilizado: o afeto nas margens, o desejo sem moldura, o corpo como linguagem.

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