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Filme: “Qual É a Hora Lá?” (2001), Tsai Ming-liang

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‘Qual É a Hora Lá?’, do aclamado diretor taiwanês Tsai Ming-liang, é um mergulho em uma Tapei e Paris que se estendem muito além de suas coordenadas geográficas, explorando a imensa solidão que pode existir entre indivíduos, mesmo à distância de um toque. O filme tece uma narrativa intrigante a partir de um encontro aparentemente trivial. Um jovem vendedor de relógios de rua, Hsiao-kang, é abordado por Shiang-chyi, uma mulher que está prestes a embarcar para Paris. Encantado por ela, ele decide que todos os relógios que vende e possui devem ser ajustados para o horário da capital francesa, numa espécie de ritual particular que ecoa um desejo profundo e não articulado de conexão.

A trama segue esses dois personagens em suas jornadas paralelas e desconectadas. Enquanto Shiang-chyi navega pela capital francesa, experienciando a alienação e a busca por um sentido, Hsiao-kang permanece em Taipei, em seu apartamento cada vez mais povoado por relógios parisienses, numa obsessão que o consome e o afasta do mundo ao seu redor, incluindo sua mãe, que, por sua vez, vive seu próprio luto e a crença de que o espírito do pai falecido retornou. Tsai Ming-liang orquestra essas vidas com sua assinatura visual: longos planos-sequência que observam a lentidão do cotidiano, a ausência de diálogos que amplifica o peso do não-dito e uma fotografia que captura a essência de cada espaço. O que emerge é um estudo sobre a incomunicabilidade na era da globalização e a forma como o tempo, uma construção humana, pode ser simultaneamente uma ponte imaginária e um abismo intransponível entre as pessoas. A temporalidade aqui não é apenas uma métrica; é um estado de ser, um eco da memória e da falta, onde a sincronia se torna uma tentativa desesperada de preencher um vazio. O filme convida a uma reflexão sobre a dimensão da existência solitária no tecido urbano contemporâneo e a universalidade da procura por significado em meio ao silêncio.

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‘Qual É a Hora Lá?’, do aclamado diretor taiwanês Tsai Ming-liang, é um mergulho em uma Tapei e Paris que se estendem muito além de suas coordenadas geográficas, explorando a imensa solidão que pode existir entre indivíduos, mesmo à distância de um toque. O filme tece uma narrativa intrigante a partir de um encontro aparentemente trivial. Um jovem vendedor de relógios de rua, Hsiao-kang, é abordado por Shiang-chyi, uma mulher que está prestes a embarcar para Paris. Encantado por ela, ele decide que todos os relógios que vende e possui devem ser ajustados para o horário da capital francesa, numa espécie de ritual particular que ecoa um desejo profundo e não articulado de conexão.

A trama segue esses dois personagens em suas jornadas paralelas e desconectadas. Enquanto Shiang-chyi navega pela capital francesa, experienciando a alienação e a busca por um sentido, Hsiao-kang permanece em Taipei, em seu apartamento cada vez mais povoado por relógios parisienses, numa obsessão que o consome e o afasta do mundo ao seu redor, incluindo sua mãe, que, por sua vez, vive seu próprio luto e a crença de que o espírito do pai falecido retornou. Tsai Ming-liang orquestra essas vidas com sua assinatura visual: longos planos-sequência que observam a lentidão do cotidiano, a ausência de diálogos que amplifica o peso do não-dito e uma fotografia que captura a essência de cada espaço. O que emerge é um estudo sobre a incomunicabilidade na era da globalização e a forma como o tempo, uma construção humana, pode ser simultaneamente uma ponte imaginária e um abismo intransponível entre as pessoas. A temporalidade aqui não é apenas uma métrica; é um estado de ser, um eco da memória e da falta, onde a sincronia se torna uma tentativa desesperada de preencher um vazio. O filme convida a uma reflexão sobre a dimensão da existência solitária no tecido urbano contemporâneo e a universalidade da procura por significado em meio ao silêncio.

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