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Filme: “Victoria” (2015), Sebastian Schipper

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Uma noite em Berlim pode durar uma vida inteira. Para Victoria, uma jovem espanhola a trabalhar num café na capital alemã, a solidão de uma cidade estrangeira está prestes a ser quebrada da forma mais abrupta possível. Ao sair de uma discoteca nas primeiras horas da manhã, ela cruza o caminho de Sonne e do seu grupo de amigos, berlinenses autênticos, cheios de uma energia caótica e cativante. O que começa como um flerte despretensioso, um passeio noturno regado a álcool roubado e conversas que misturam inglês e alemão, rapidamente se transforma numa conexão genuína. A aposta de Sebastian Schipper é radical e define cada segundo de Victoria: a câmera de Sturla Brandth Grøvlen nunca pisca, nunca corta. Somos lançados em tempo real nesta jornada de duas horas e dezoito minutos, seguindo os passos de Victoria, sentindo a sua euforia e a sua crescente apreensão sem qualquer escape.

A leveza da madrugada evapora quando a realidade de Sonne vem à tona. Uma dívida antiga com as pessoas erradas exige um pagamento imediato, e o favor é um assalto a um banco. Eles precisam de um motorista, e Victoria, impulsionada pela adrenalina da noite e pela sua ligação com Sonne, concorda em ajudar. A partir daqui, o filme de Schipper deixa de ser um retrato da juventude para se tornar um thriller de alta voltagem, onde a improvisação dos atores e a natureza implacável do plano sequência criam uma tensão quase insuportável. Cada decisão é final, cada rua percorrida é um ponto sem retorno. A proeza técnica não é um artifício, mas o próprio motor da narrativa, forçando o público a vivenciar o pânico, a pressa e as consequências brutais de cada ato como se estivesse no banco de trás do carro.

O que eleva Victoria para além do seu impressionante feito cinematográfico são as performances viscerais, especialmente a de Laia Costa, cujo rosto transmite uma gama de emoções que vão da alegria desinibida ao terror absoluto. A sua química com Frederick Lau, que interpreta Sonne, parece tão autêntica que os diálogos, em grande parte improvisados, pulsam com vida. Este não é um filme sobre destino, mas sobre o conceito grego de Kairos: o momento certo, a oportunidade que se abre e que, uma vez agarrada, define todo o percurso seguinte. A escolha de Victoria de seguir aqueles homens não é um ato de ingenuidade, mas uma aposta total no instante. Schipper oferece uma experiência cinematográfica pura, um exercício de imersão que explora como a busca por conexão pode nos levar a lugares inesperados e perigosos. É um pedaço de vida cru, filmado de um só fôlego, que pulsa com a energia imprevisível de uma cidade que nunca dorme.

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Uma noite em Berlim pode durar uma vida inteira. Para Victoria, uma jovem espanhola a trabalhar num café na capital alemã, a solidão de uma cidade estrangeira está prestes a ser quebrada da forma mais abrupta possível. Ao sair de uma discoteca nas primeiras horas da manhã, ela cruza o caminho de Sonne e do seu grupo de amigos, berlinenses autênticos, cheios de uma energia caótica e cativante. O que começa como um flerte despretensioso, um passeio noturno regado a álcool roubado e conversas que misturam inglês e alemão, rapidamente se transforma numa conexão genuína. A aposta de Sebastian Schipper é radical e define cada segundo de Victoria: a câmera de Sturla Brandth Grøvlen nunca pisca, nunca corta. Somos lançados em tempo real nesta jornada de duas horas e dezoito minutos, seguindo os passos de Victoria, sentindo a sua euforia e a sua crescente apreensão sem qualquer escape.

A leveza da madrugada evapora quando a realidade de Sonne vem à tona. Uma dívida antiga com as pessoas erradas exige um pagamento imediato, e o favor é um assalto a um banco. Eles precisam de um motorista, e Victoria, impulsionada pela adrenalina da noite e pela sua ligação com Sonne, concorda em ajudar. A partir daqui, o filme de Schipper deixa de ser um retrato da juventude para se tornar um thriller de alta voltagem, onde a improvisação dos atores e a natureza implacável do plano sequência criam uma tensão quase insuportável. Cada decisão é final, cada rua percorrida é um ponto sem retorno. A proeza técnica não é um artifício, mas o próprio motor da narrativa, forçando o público a vivenciar o pânico, a pressa e as consequências brutais de cada ato como se estivesse no banco de trás do carro.

O que eleva Victoria para além do seu impressionante feito cinematográfico são as performances viscerais, especialmente a de Laia Costa, cujo rosto transmite uma gama de emoções que vão da alegria desinibida ao terror absoluto. A sua química com Frederick Lau, que interpreta Sonne, parece tão autêntica que os diálogos, em grande parte improvisados, pulsam com vida. Este não é um filme sobre destino, mas sobre o conceito grego de Kairos: o momento certo, a oportunidade que se abre e que, uma vez agarrada, define todo o percurso seguinte. A escolha de Victoria de seguir aqueles homens não é um ato de ingenuidade, mas uma aposta total no instante. Schipper oferece uma experiência cinematográfica pura, um exercício de imersão que explora como a busca por conexão pode nos levar a lugares inesperados e perigosos. É um pedaço de vida cru, filmado de um só fôlego, que pulsa com a energia imprevisível de uma cidade que nunca dorme.

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