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Filme: “Good Time” (2017), Joshua Safdie, Benny Safdie

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Good Time, o filme dos irmãos Safdie, arremessa o público diretamente para o coração de um assalto a banco mal executado, que serve de ignição para uma odisseia noturna implacável pelas entranhas de Nova York. Connie Nikas, interpretado com uma intensidade febril por Robert Pattinson, vê seu plano de resgatar seu irmão Nick, um jovem com deficiência intelectual, da custódia policial transformar-se rapidamente numa espiral de decisões cada vez mais desesperadas e catastróficas. A premissa é simples: um ato de amor fraterno – ou de posse e egoísmo, dependendo da ótica – que desanda e deflagra uma corrida contra o tempo, onde cada escolha parece selar um destino mais sombrio.

Na sua busca frenética por dinheiro para a fiança de Nick, Connie se vê obrigado a navegar por um submundo urbano imprevisível, cruzando caminhos com figuras marginais, desde traficantes a seguranças noturnos, todos habitantes de uma cidade que nunca dorme e que parece indiferente ao desespero individual. A trama se desdobra em uma sucessão de encontros fortuitos e reviravoltas impulsionadas pelo acaso, ou talvez pela pura inconsequência. A narrativa se recusa a pisar no freio, mantendo uma pulsação constante de adrenalina que captura a sensação de um pesadelo acordado, onde a lógica cede lugar ao instinto bruto de sobrevivência.

Os Safdie constroem uma experiência cinematográfica que vai além do mero thriller de perseguição. A relação entre Connie e Nick é o cerne ambíguo da obra: uma simbiose complexa onde a intenção de proteger se mistura com uma manipulação quase instintiva. O filme observa com crueza como a fragilidade de um sistema – seja ele penal, social ou mesmo familiar – pode ser explorada e, paradoxalmente, como essa exploração leva à ruína. Cada tentativa de correção, cada gambiarra para consertar o erro anterior, apenas tece uma rede mais apertada de complicações, revelando a ilusão de controle frente à cadeia implacável de causas e efeitos. É uma exploração visceral do desespero e das consequências não intencionais, onde a cada passo o protagonista se afunda mais, mostrando que a fuga é um fardo tão pesado quanto a própria prisão.

Visualmente, ‘Good Time’ é um espetáculo neon que reflete a sordidez luminosa das ruas noturnas, enquanto sua trilha sonora eletrônica, pulsante e imersiva, intensifica a sensação de urgência e paranoia. Robert Pattinson entrega uma performance hipnótica, carregando o filme com sua energia descontrolada, uma representação crua de alguém à beira do colapso, desesperado por uma redenção que parece cada vez mais distante. A direção dos Safdie é impecável na sua capacidade de criar uma imersão quase tátil no caos, transformando a tela em uma janela para um pesadelo urbano palpável. ‘Good Time’ é uma experiência exaustiva, mas indubitavelmente impactante, um mergulho sem fôlego na periferia da moralidade onde o que resta é o eco pulsante de uma sirene distante.

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Good Time, o filme dos irmãos Safdie, arremessa o público diretamente para o coração de um assalto a banco mal executado, que serve de ignição para uma odisseia noturna implacável pelas entranhas de Nova York. Connie Nikas, interpretado com uma intensidade febril por Robert Pattinson, vê seu plano de resgatar seu irmão Nick, um jovem com deficiência intelectual, da custódia policial transformar-se rapidamente numa espiral de decisões cada vez mais desesperadas e catastróficas. A premissa é simples: um ato de amor fraterno – ou de posse e egoísmo, dependendo da ótica – que desanda e deflagra uma corrida contra o tempo, onde cada escolha parece selar um destino mais sombrio.

Na sua busca frenética por dinheiro para a fiança de Nick, Connie se vê obrigado a navegar por um submundo urbano imprevisível, cruzando caminhos com figuras marginais, desde traficantes a seguranças noturnos, todos habitantes de uma cidade que nunca dorme e que parece indiferente ao desespero individual. A trama se desdobra em uma sucessão de encontros fortuitos e reviravoltas impulsionadas pelo acaso, ou talvez pela pura inconsequência. A narrativa se recusa a pisar no freio, mantendo uma pulsação constante de adrenalina que captura a sensação de um pesadelo acordado, onde a lógica cede lugar ao instinto bruto de sobrevivência.

Os Safdie constroem uma experiência cinematográfica que vai além do mero thriller de perseguição. A relação entre Connie e Nick é o cerne ambíguo da obra: uma simbiose complexa onde a intenção de proteger se mistura com uma manipulação quase instintiva. O filme observa com crueza como a fragilidade de um sistema – seja ele penal, social ou mesmo familiar – pode ser explorada e, paradoxalmente, como essa exploração leva à ruína. Cada tentativa de correção, cada gambiarra para consertar o erro anterior, apenas tece uma rede mais apertada de complicações, revelando a ilusão de controle frente à cadeia implacável de causas e efeitos. É uma exploração visceral do desespero e das consequências não intencionais, onde a cada passo o protagonista se afunda mais, mostrando que a fuga é um fardo tão pesado quanto a própria prisão.

Visualmente, ‘Good Time’ é um espetáculo neon que reflete a sordidez luminosa das ruas noturnas, enquanto sua trilha sonora eletrônica, pulsante e imersiva, intensifica a sensação de urgência e paranoia. Robert Pattinson entrega uma performance hipnótica, carregando o filme com sua energia descontrolada, uma representação crua de alguém à beira do colapso, desesperado por uma redenção que parece cada vez mais distante. A direção dos Safdie é impecável na sua capacidade de criar uma imersão quase tátil no caos, transformando a tela em uma janela para um pesadelo urbano palpável. ‘Good Time’ é uma experiência exaustiva, mas indubitavelmente impactante, um mergulho sem fôlego na periferia da moralidade onde o que resta é o eco pulsante de uma sirene distante.

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