Na fronteira entre o Irã e o Iraque, pouco antes da invasão americana de 2003, um grupo de crianças curdas luta para sobreviver em meio à incerteza e ao perigo iminente. Kak Satellite, um garoto de 13 anos carismático e empreendedor, lidera o grupo, instalando antenas parabólicas para a vila e traduzindo notícias da guerra para os moradores. Sua habilidade com tecnologia o torna uma figura central, mas a realidade brutal do conflito molda suas perspectivas de maneira irreversível.
A chegada de um novo grupo de refugiados traz consigo novas dinâmicas. Agrin, uma jovem traumatizada, e seu irmão Hengov, que prevê o futuro, carregam um passado doloroso que os assombra. A relação entre Kak Satellite e Agrin se desenvolve em meio à crescente tensão, enquanto a sombra da guerra se aproxima cada vez mais. Ghobadi tece uma narrativa complexa, onde a inocência infantil colide com a violência e a opressão. O filme explora a resiliência das crianças diante da adversidade, sua capacidade de encontrar esperança em meio ao caos e sua luta para manter a dignidade em um mundo marcado pela injustiça.
“Turtles Can Fly” não oferece um olhar simplista sobre a guerra. Ao invés disso, mergulha na experiência humana, mostrando como o conflito afeta as vidas daqueles que são frequentemente esquecidos: as crianças. O filme demonstra como a guerra não se limita aos campos de batalha, mas se infiltra nos lares, nas escolas e nos sonhos, deixando cicatrizes profundas nas gerações futuras. A fragilidade da existência humana, confrontada com o determinismo, ecoa a filosofia de Sartre, onde a liberdade de escolha se manifesta mesmo nas circunstâncias mais opressoras. O filme questiona a capacidade de se criar um futuro em um ambiente de completa destruição.









Deixe uma resposta