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Filme: “O Rei de Nova York” (1990), Abel Ferrara

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Ao sair da prisão de Sing Sing, Frank White não retorna a Nova York para se reajustar. Ele volta para tomar o que considera seu. Em um retrato febril e pulsante da cidade no final dos anos 80, o filme de Abel Ferrara acompanha a ascensão meteórica e violenta deste traficante recém-libertado. Com a performance hipnótica e gélida de Christopher Walken, Frank não é um criminoso comum que busca apenas o poder pelo poder. Ele se move com a certeza de um predador, eliminando a concorrência com uma eficiência brutal e cirúrgica, auxiliado por uma equipe leal e igualmente implacável, que inclui as presenças marcantes de Laurence Fishburne e Wesley Snipes. O objetivo é claro: unificar o comércio de drogas sob seu controle total.

A particularidade de Frank, e o ponto central que move a obra, é sua ambição paradoxal. Ele não acumula fortuna para o luxo pessoal, embora desfrute dele em seu apartamento no Plaza Hotel. Sua grande meta é financiar um hospital infantil no South Bronx, uma instituição abandonada pelo sistema que ele despreza. Essa lógica o posiciona para além das noções convencionais de moralidade, estabelecendo um código próprio onde os fins justificam os meios mais extremos. Frank White opera como uma força da natureza capitalista, um executivo do submundo que acredita poder gerir a cidade de forma mais eficaz e, a seu modo, mais justa do que os políticos e burocratas.

A narrativa se desenrola como uma colisão inevitável. De um lado, o império em rápida expansão de Frank, construído sobre corpos e acordos forçados. Do outro, um grupo de policiais liderado por Roy Bishop e Dennis Gilley, que, frustrados com as limitações da lei, começam a espelhar os métodos de seu adversário. Ferrara filma essa guerra urbana com uma estética neon e suja, capturando a energia anárquica de uma Nova York à beira do colapso. A trilha sonora, dominada pelo hip-hop da época, funciona como o batimento cardíaco da metrópole, pontuando cada perseguição e confronto.

O Rei de Nova York é um estudo sobre o poder em sua forma mais crua e a falência das instituições. A jornada de Frank White não é uma saga de ascensão e queda nos moldes clássicos do cinema de gângster, mas sim um sprint implacável em direção a um fim predestinado. O filme documenta a tentativa de um homem de impor sua vontade sobre uma cidade caótica, tornando-se uma personificação distorcida e radical do sonho americano, onde o sucesso é a única virtude e a falha é a aniquilação.

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Ao sair da prisão de Sing Sing, Frank White não retorna a Nova York para se reajustar. Ele volta para tomar o que considera seu. Em um retrato febril e pulsante da cidade no final dos anos 80, o filme de Abel Ferrara acompanha a ascensão meteórica e violenta deste traficante recém-libertado. Com a performance hipnótica e gélida de Christopher Walken, Frank não é um criminoso comum que busca apenas o poder pelo poder. Ele se move com a certeza de um predador, eliminando a concorrência com uma eficiência brutal e cirúrgica, auxiliado por uma equipe leal e igualmente implacável, que inclui as presenças marcantes de Laurence Fishburne e Wesley Snipes. O objetivo é claro: unificar o comércio de drogas sob seu controle total.

A particularidade de Frank, e o ponto central que move a obra, é sua ambição paradoxal. Ele não acumula fortuna para o luxo pessoal, embora desfrute dele em seu apartamento no Plaza Hotel. Sua grande meta é financiar um hospital infantil no South Bronx, uma instituição abandonada pelo sistema que ele despreza. Essa lógica o posiciona para além das noções convencionais de moralidade, estabelecendo um código próprio onde os fins justificam os meios mais extremos. Frank White opera como uma força da natureza capitalista, um executivo do submundo que acredita poder gerir a cidade de forma mais eficaz e, a seu modo, mais justa do que os políticos e burocratas.

A narrativa se desenrola como uma colisão inevitável. De um lado, o império em rápida expansão de Frank, construído sobre corpos e acordos forçados. Do outro, um grupo de policiais liderado por Roy Bishop e Dennis Gilley, que, frustrados com as limitações da lei, começam a espelhar os métodos de seu adversário. Ferrara filma essa guerra urbana com uma estética neon e suja, capturando a energia anárquica de uma Nova York à beira do colapso. A trilha sonora, dominada pelo hip-hop da época, funciona como o batimento cardíaco da metrópole, pontuando cada perseguição e confronto.

O Rei de Nova York é um estudo sobre o poder em sua forma mais crua e a falência das instituições. A jornada de Frank White não é uma saga de ascensão e queda nos moldes clássicos do cinema de gângster, mas sim um sprint implacável em direção a um fim predestinado. O filme documenta a tentativa de um homem de impor sua vontade sobre uma cidade caótica, tornando-se uma personificação distorcida e radical do sonho americano, onde o sucesso é a única virtude e a falha é a aniquilação.

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