Cultivando arte e cultura insurgentes


Filme: “Looper: Assassinos do Futuro” (2012), Rian Johnson

Avatar de Hernandes Matias Junior

Siga: Twitter Instagram

Em Kansas, no ano de 2044, a economia está em ruínas e a vida é barata. Para Joe, um assassino de aluguel conhecido como Looper, o trabalho é simples, embora moralmente questionável. Com seu trabuco em mãos, ele espera em um campo de milho por um alvo que aparece do nada, amarrado e encapuzado. Um tiro, um pagamento em barras de prata presas às costas da vítima, e o corpo é descartado. O detalhe crucial é que seus alvos são enviados do futuro, de 2074, onde a viagem no tempo é uma tecnologia ilegal usada apenas pelo submundo para execuções limpas, eliminando qualquer vestígio do crime. Os Loopers vivem bem, mas sabem que o contrato tem prazo de validade: um dia, o alvo enviado será sua própria versão mais velha, uma prática chamada de “fechar o ciclo”, que garante ao assassino trinta anos de uma vida rica antes de sua própria execução.

O sistema funciona com uma precisão brutal até o dia em que o ciclo de Joe, interpretado por Joseph Gordon-Levitt, precisa ser fechado. Sua versão futura, vivida por Bruce Willis, chega para a execução, mas consegue escapar. O evento desencadeia uma crise imediata: o jovem Joe é agora um fugitivo de seus empregadores, forçado a caçar e matar a si mesmo para sobreviver. A perseguição que se segue é o motor de ‘Looper: Assassinos do Futuro’, uma narrativa que coloca duas versões do mesmo homem em rota de colisão, cada uma com seus próprios motivos e um conhecimento íntimo das fraquezas do outro. O Joe mais velho não voltou apenas para salvar sua pele; ele tem uma missão própria, uma que pode alterar drasticamente a linha do tempo e o futuro de todos.

O que eleva a obra de Rian Johnson para além de um simples suspense de ficção científica é a maneira como ela usa sua premissa de viagem no tempo não para se perder em paradoxos técnicos, mas para investigar a natureza da identidade e da mudança. O filme tangencia questões que remetem sutilmente ao paradoxo do Navio de Teseu: se todas as suas experiências e motivações são alteradas ao longo do tempo, você ainda é fundamentalmente a mesma pessoa? O confronto entre os dois Joes é um debate físico e violento sobre determinismo e a capacidade de reescrever o próprio destino. A versão mais jovem é egoísta e imediatista, enquanto a mais velha é movida por uma dor que seu eu do passado ainda não consegue compreender, justificando atos terríveis em nome de um bem maior.

A construção de mundo é eficiente e crível, apresentando um futuro próximo que parece uma extensão lógica do presente, com tecnologias avançadas convivendo com uma decadência palpável. A introdução da personagem de Sara, interpretada por Emily Blunt, uma fazendeira com um filho pequeno e um segredo formidável, ancora o enredo e oferece ao jovem Joe uma encruzilhada moral que vai além de sua própria sobrevivência. A atuação de Gordon-Levitt, aprimorada por próteses para se assemelhar a um Willis mais jovem, captura a arrogância e a vulnerabilidade de seu personagem, enquanto Willis entrega uma performance carregada de cansaço e fúria. No final, ‘Looper: Assassinos do Futuro’ se firma como um exercício de gênero inteligente, uma peça de ficção científica que se preocupa mais com as consequências das escolhas humanas do que com o espetáculo da tecnologia, explorando a ideia de que quebrar um ciclo de violência pode ser o ato mais significativo que alguém pode cometer.

Avatar de Hernandes Matias Junior

Siga: Twitter Instagram

Em Kansas, no ano de 2044, a economia está em ruínas e a vida é barata. Para Joe, um assassino de aluguel conhecido como Looper, o trabalho é simples, embora moralmente questionável. Com seu trabuco em mãos, ele espera em um campo de milho por um alvo que aparece do nada, amarrado e encapuzado. Um tiro, um pagamento em barras de prata presas às costas da vítima, e o corpo é descartado. O detalhe crucial é que seus alvos são enviados do futuro, de 2074, onde a viagem no tempo é uma tecnologia ilegal usada apenas pelo submundo para execuções limpas, eliminando qualquer vestígio do crime. Os Loopers vivem bem, mas sabem que o contrato tem prazo de validade: um dia, o alvo enviado será sua própria versão mais velha, uma prática chamada de “fechar o ciclo”, que garante ao assassino trinta anos de uma vida rica antes de sua própria execução.

O sistema funciona com uma precisão brutal até o dia em que o ciclo de Joe, interpretado por Joseph Gordon-Levitt, precisa ser fechado. Sua versão futura, vivida por Bruce Willis, chega para a execução, mas consegue escapar. O evento desencadeia uma crise imediata: o jovem Joe é agora um fugitivo de seus empregadores, forçado a caçar e matar a si mesmo para sobreviver. A perseguição que se segue é o motor de ‘Looper: Assassinos do Futuro’, uma narrativa que coloca duas versões do mesmo homem em rota de colisão, cada uma com seus próprios motivos e um conhecimento íntimo das fraquezas do outro. O Joe mais velho não voltou apenas para salvar sua pele; ele tem uma missão própria, uma que pode alterar drasticamente a linha do tempo e o futuro de todos.

O que eleva a obra de Rian Johnson para além de um simples suspense de ficção científica é a maneira como ela usa sua premissa de viagem no tempo não para se perder em paradoxos técnicos, mas para investigar a natureza da identidade e da mudança. O filme tangencia questões que remetem sutilmente ao paradoxo do Navio de Teseu: se todas as suas experiências e motivações são alteradas ao longo do tempo, você ainda é fundamentalmente a mesma pessoa? O confronto entre os dois Joes é um debate físico e violento sobre determinismo e a capacidade de reescrever o próprio destino. A versão mais jovem é egoísta e imediatista, enquanto a mais velha é movida por uma dor que seu eu do passado ainda não consegue compreender, justificando atos terríveis em nome de um bem maior.

A construção de mundo é eficiente e crível, apresentando um futuro próximo que parece uma extensão lógica do presente, com tecnologias avançadas convivendo com uma decadência palpável. A introdução da personagem de Sara, interpretada por Emily Blunt, uma fazendeira com um filho pequeno e um segredo formidável, ancora o enredo e oferece ao jovem Joe uma encruzilhada moral que vai além de sua própria sobrevivência. A atuação de Gordon-Levitt, aprimorada por próteses para se assemelhar a um Willis mais jovem, captura a arrogância e a vulnerabilidade de seu personagem, enquanto Willis entrega uma performance carregada de cansaço e fúria. No final, ‘Looper: Assassinos do Futuro’ se firma como um exercício de gênero inteligente, uma peça de ficção científica que se preocupa mais com as consequências das escolhas humanas do que com o espetáculo da tecnologia, explorando a ideia de que quebrar um ciclo de violência pode ser o ato mais significativo que alguém pode cometer.

Deixe uma resposta

Comments (

0

)

Descubra mais sobre Românticos Radicais

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading