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Filme: “Lost, Lost, Lost” (1976), Jonas Mekas

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Jonas Mekas documenta seus primeiros quinze anos na América em ‘Lost, Lost, Lost’, um monumental filme de diário dividido em seis partes que cobre o período de 1949 a 1963. A obra começa com a chegada dele e de seu irmão Adolfas a Nova York, como pessoas deslocadas da Lituânia, e mergulha na melancolia e no desajuste de quem busca recriar um senso de comunidade em solo estrangeiro. As imagens iniciais, capturadas com uma câmera Bolex de 16mm, registram com uma honestidade crua os encontros, piqueniques e eventos da comunidade imigrante lituana no Brooklyn, uma tentativa de preservar um mundo que já não existe. A câmera de Mekas não julga nem romantiza; ela simplesmente observa a persistência da memória e a dificuldade de encontrar um lugar no presente.

O que se desenrola ao longo de quase três horas é uma notável transformação, tanto do cineasta quanto do próprio filme. A sensação de perda que dá nome à obra gradualmente cede espaço para uma energia febril, uma descoberta. Mekas encontra uma nova tribo, não baseada na nacionalidade, mas na arte. Ele se volta para a cena efervescente do cinema de vanguarda de Nova York, e o foco de sua câmera se desloca dos rituais do exílio para os manifestos de uma nova geração de artistas. O filme, portanto, funciona como um registro duplo: o da vida de um imigrante e o do nascimento do New American Cinema, com vislumbres de figuras como Allen Ginsberg, LeRoi Jones e outros pioneiros que redefiniram a cultura underground da cidade.

A estrutura fragmentada e a câmera na mão, pulsante e por vezes vertiginosa, não são meros artifícios estilísticos, mas a própria gramática da experiência de Mekas. O tempo no filme não é o do relógio, mas a duração subjetiva da percepção, um fluxo bergsoniano onde um instante de alegria pode se expandir e anos de rotina se contraem em poucos frames. O filme não apresenta uma narrativa de assimilação bem-sucedida, mas sim o processo de se tornar algo diferente: tornar-se cineasta, tornar-se nova-iorquino. É a crônica de uma consciência em pleno ato de se formar, onde a câmera não apenas captura a realidade, mas se torna a ferramenta com a qual uma nova identidade é construída, quadro a quadro.

‘Lost, Lost, Lost’ é menos sobre encontrar um lar físico e mais sobre o ato de fabricar um lar através do olhar. O filme estabelece um modelo para o cinema de diário, onde o pessoal se torna um documento histórico e a autobiografia se funde com a crônica cultural. Ao final, a obra se revela não como um lamento pela perda, mas como um testemunho visceral do que significa estar vivo, atento e filmando em meio ao fluxo incessante da vida. É o mapa de uma mente que aprendeu a navegar em seu próprio deslocamento, encontrando um propósito não na chegada, mas na contínua e irrequieta jornada.

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Jonas Mekas documenta seus primeiros quinze anos na América em ‘Lost, Lost, Lost’, um monumental filme de diário dividido em seis partes que cobre o período de 1949 a 1963. A obra começa com a chegada dele e de seu irmão Adolfas a Nova York, como pessoas deslocadas da Lituânia, e mergulha na melancolia e no desajuste de quem busca recriar um senso de comunidade em solo estrangeiro. As imagens iniciais, capturadas com uma câmera Bolex de 16mm, registram com uma honestidade crua os encontros, piqueniques e eventos da comunidade imigrante lituana no Brooklyn, uma tentativa de preservar um mundo que já não existe. A câmera de Mekas não julga nem romantiza; ela simplesmente observa a persistência da memória e a dificuldade de encontrar um lugar no presente.

O que se desenrola ao longo de quase três horas é uma notável transformação, tanto do cineasta quanto do próprio filme. A sensação de perda que dá nome à obra gradualmente cede espaço para uma energia febril, uma descoberta. Mekas encontra uma nova tribo, não baseada na nacionalidade, mas na arte. Ele se volta para a cena efervescente do cinema de vanguarda de Nova York, e o foco de sua câmera se desloca dos rituais do exílio para os manifestos de uma nova geração de artistas. O filme, portanto, funciona como um registro duplo: o da vida de um imigrante e o do nascimento do New American Cinema, com vislumbres de figuras como Allen Ginsberg, LeRoi Jones e outros pioneiros que redefiniram a cultura underground da cidade.

A estrutura fragmentada e a câmera na mão, pulsante e por vezes vertiginosa, não são meros artifícios estilísticos, mas a própria gramática da experiência de Mekas. O tempo no filme não é o do relógio, mas a duração subjetiva da percepção, um fluxo bergsoniano onde um instante de alegria pode se expandir e anos de rotina se contraem em poucos frames. O filme não apresenta uma narrativa de assimilação bem-sucedida, mas sim o processo de se tornar algo diferente: tornar-se cineasta, tornar-se nova-iorquino. É a crônica de uma consciência em pleno ato de se formar, onde a câmera não apenas captura a realidade, mas se torna a ferramenta com a qual uma nova identidade é construída, quadro a quadro.

‘Lost, Lost, Lost’ é menos sobre encontrar um lar físico e mais sobre o ato de fabricar um lar através do olhar. O filme estabelece um modelo para o cinema de diário, onde o pessoal se torna um documento histórico e a autobiografia se funde com a crônica cultural. Ao final, a obra se revela não como um lamento pela perda, mas como um testemunho visceral do que significa estar vivo, atento e filmando em meio ao fluxo incessante da vida. É o mapa de uma mente que aprendeu a navegar em seu próprio deslocamento, encontrando um propósito não na chegada, mas na contínua e irrequieta jornada.

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