Em uma Paris desglamourizada, onde a arte é apenas mais uma mercadoria em decomposição, a atriz Nadine Chevalier vive uma crise profissional e pessoal. Interpretada por Romy Schneider em uma entrega de vulnerabilidade quase documental, Nadine atua em filmes de baixo orçamento para pagar as contas, vendendo seu corpo e sua dignidade em sets de filmagem precários. É nesse cenário que ela conhece Servais Mont, um fotógrafo interpretado por Fabio Testi, que ganha a vida registrando o lado sórdido da cidade. A conexão entre os dois é imediata, mas não se trata de um romance convencional. Ele se apaixona pela imagem dela, pela fragilidade que captura com sua lente, e decide que precisa salvá-la, custe o que custar. Para isso, ele toma um empréstimo com agiotas para financiar secretamente uma peça de teatro para ela, uma produção de Ricardo III que pode ser sua redenção ou seu colapso definitivo.
O filme de Andrzej Żuławski opera em um terreno de histeria controlada, onde cada emoção é amplificada até o limite do grotesco e do sublime. A narrativa se desenrola como uma coreografia de desespero, expondo a mecânica da dependência emocional e financeira. Nadine está presa não apenas a uma carreira decadente, mas também ao seu marido, Jacques, um homem excêntrico e frágil vivido por Jacques Dutronc, que observa o turbilhão com uma mistura de resignação e afeto performático. O universo do filme é povoado por figuras extremas, como o ator maníaco interpretado por Klaus Kinski em uma participação memorável, que serve como uma dose concentrada da energia caótica que permeia toda a obra. A câmera de Żuławski é um participante ativo, movendo-se freneticamente, aproximando-se dos rostos suados e dos olhares desesperados, recusando-se a oferecer qualquer distanciamento confortável para o espectador.
Mais do que uma história sobre amor, ‘O Importante é Amar’ é uma análise visceral sobre a performance da identidade em um mundo que exige constante representação. Os personagens estão imersos em uma crise de autenticidade, onde é impossível distinguir o sentimento genuíno da encenação necessária para a sobrevivência. Servais representa o papel de salvador, Nadine o da artista em busca de integridade, e Jacques o do companheiro leal, mas todas essas são máscaras frágeis. Żuławski disseca a própria natureza da atuação, mostrando como ela contamina a vida até que não sobre mais nada. O título, portanto, adquire uma camada de ironia cortante. O amor aqui não é uma força redentora e pura, mas uma transação brutal, um ato desesperado, e talvez, a única coisa que resta quando a cortina da dignidade finalmente cai.









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