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Filme: “Platform” (2000), Jia Zhangke

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Em ‘Platform’, Jia Zhangke nos mergulha na transição sísmica da China pós-Mao, acompanhando uma trupe teatral estatal na província de Shanxi, em Fenyang, durante os anos 1980 e o início da década seguinte. O que começa como um coletivo dedicado à propaganda revolucionária rapidamente se vê forçado a se adaptar a um país que se abre, buscando novas formas de subsistência e expressão. A narrativa acompanha de perto quatro jovens membros – Minliang, Ruijuan, Zhongping e Sanming – enquanto suas vidas pessoais, aspirações românticas e escolhas de carreira se desenrolam contra um pano de fundo de mudanças socioeconômicas monumentais, da introdução da música pop ocidental à ascensão de um pragmatismo individualista.

O filme observa como o coletivo cede espaço ao particular, e como a arte, antes veículo de ideologia, se mercantiliza em bailes de disco e canções populares. A trupe, outrora coesa, se dispersa à medida que os membros buscam seus próprios caminhos em cidades maiores ou se conformam com as novas realidades da vida rural transformada. É uma crônica despretensiosa sobre a perda de um certo tipo de inocência, tanto individual quanto cultural, à medida que a China acelera rumo à modernidade. A direção de Jia Zhangke é notável por sua paciência e seu olhar quase antropológico, permitindo que a passagem do tempo e as transformações sociais se manifestem de forma orgânica, sem pressa. A vida dos personagens, suas pausas, seus tédios e seus pequenos momentos de efêmera alegria, se confundem com o próprio ritmo de uma nação em constante mutação.

‘Platform’ não se interessa por grandes dramas ou viradas abruptas, mas sim pelo fluxo contínuo e pela impermanência de tudo que se construiu e se desconstruiu em pouco mais de uma década. Jia Zhangke cria um documento vital sobre uma geração que experimentou de perto a vertiginosa aceleração da história, testemunhando o desaparecimento de costumes e a emergência de novos valores em um processo quase silencioso. O filme evoca uma sensação de nostaliga por um tempo que, talvez, nunca existiu exatamente como se lembra, enquanto documenta a formação de um novo presente e futuro.

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Em ‘Platform’, Jia Zhangke nos mergulha na transição sísmica da China pós-Mao, acompanhando uma trupe teatral estatal na província de Shanxi, em Fenyang, durante os anos 1980 e o início da década seguinte. O que começa como um coletivo dedicado à propaganda revolucionária rapidamente se vê forçado a se adaptar a um país que se abre, buscando novas formas de subsistência e expressão. A narrativa acompanha de perto quatro jovens membros – Minliang, Ruijuan, Zhongping e Sanming – enquanto suas vidas pessoais, aspirações românticas e escolhas de carreira se desenrolam contra um pano de fundo de mudanças socioeconômicas monumentais, da introdução da música pop ocidental à ascensão de um pragmatismo individualista.

O filme observa como o coletivo cede espaço ao particular, e como a arte, antes veículo de ideologia, se mercantiliza em bailes de disco e canções populares. A trupe, outrora coesa, se dispersa à medida que os membros buscam seus próprios caminhos em cidades maiores ou se conformam com as novas realidades da vida rural transformada. É uma crônica despretensiosa sobre a perda de um certo tipo de inocência, tanto individual quanto cultural, à medida que a China acelera rumo à modernidade. A direção de Jia Zhangke é notável por sua paciência e seu olhar quase antropológico, permitindo que a passagem do tempo e as transformações sociais se manifestem de forma orgânica, sem pressa. A vida dos personagens, suas pausas, seus tédios e seus pequenos momentos de efêmera alegria, se confundem com o próprio ritmo de uma nação em constante mutação.

‘Platform’ não se interessa por grandes dramas ou viradas abruptas, mas sim pelo fluxo contínuo e pela impermanência de tudo que se construiu e se desconstruiu em pouco mais de uma década. Jia Zhangke cria um documento vital sobre uma geração que experimentou de perto a vertiginosa aceleração da história, testemunhando o desaparecimento de costumes e a emergência de novos valores em um processo quase silencioso. O filme evoca uma sensação de nostaliga por um tempo que, talvez, nunca existiu exatamente como se lembra, enquanto documenta a formação de um novo presente e futuro.

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