Taxidermia, do húngaro György Pálfi, é uma saga familiar grotesca e visceral que acompanha três gerações de homens, cada um obcecado com o corpo de maneiras perturbadoramente distintas. Ambientado em diferentes eras da história húngara, o filme começa com Morosgoványi Vendel, um soldado servil e lascivo durante a Segunda Guerra Mundial, cuja principal ocupação é servir de objeto de prazer para seus superiores. Sua existência banal e repleta de fantasias eróticas bizarras culmina em um evento chocante que semeia as raízes da linhagem peculiar que se seguirá.
O foco então se desloca para seu filho, Balatony Kálmán, um atleta de competição de comida na era comunista. Kálmán dedica-se fanaticamente ao treinamento, impulsionado por um desejo insaciável de reconhecimento e uma necessidade quase patológica de consumir. Sua jornada é marcada por excessos repugnantes, tanto no sentido alimentar quanto no controle opressivo de sua esposa, também competidora, prenúncio de um futuro onde a busca por validação distorce as relações humanas.
Finalmente, acompanhamos Lajoska, filho de Kálmán, um taxidermista morbidamente obeso e socialmente isolado no presente. Lajoska vive à sombra do sucesso (ou da fama bizarra) de seu pai, encontrando consolo apenas em sua arte macabra. Sua obsessão por preservar a vida através da morte o leva a experimentos cada vez mais radicais, questionando os limites da arte, da mortalidade e da própria identidade. A repetição de padrões de comportamento autodestrutivos ao longo das gerações sugere um determinismo existencial, onde os traumas e as compulsões são herdados como um fardo genético, selando o destino de cada indivíduo em um ciclo de obsessão e decadência. A obra convida o espectador a confrontar a natureza paradoxal da existência humana, onde a busca por significado muitas vezes se manifesta em formas grotescas e extremas.









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