Burt e Verona, um casal beirando os trinta e poucos, enfrentam um dilema existencial embalados pela iminente paternidade. Sem raízes, sem família por perto e com um certo desencanto pela previsibilidade da vida, eles decidem embarcar em uma jornada pelos Estados Unidos em busca do lugar perfeito para criar seu filho. “Away We Go” acompanha essa peregrinação atípica, expondo com humor sutil e melancolia latente um retrato das relações contemporâneas e da busca por significado em um mundo cada vez mais fragmentado.
A viagem se transforma em uma série de encontros com amigos e familiares excêntricos, cada um vivendo a vida de maneira radicalmente diferente. Uma irmã obcecada por adoção internacional, um antigo colega de faculdade mergulhado em um estilo de vida “alternativo” exacerbado, pais disfuncionais com filosofias de criação questionáveis – cada parada oferece uma perspectiva sobre o que significa ser família e criar um filho, mas também acentua a confusão e a insegurança do casal.
Sam Mendes, conhecido por explorar as angústias da classe média em obras como “Beleza Americana”, aqui adota um tom mais leve e otimista, sem, no entanto, evitar a complexidade das questões existenciais que permeiam a narrativa. O filme, em sua essência, é um estudo sobre a angústia da escolha e a dificuldade de encontrar um lugar no mundo que realmente se sinta como lar. Burt e Verona, imersos em um existencialismo prático, confrontam a liberdade radical de Sartre, a responsabilidade de criar sua própria essência em um mundo sem um manual de instruções. O casal questiona se a autenticidade é alcançável ou apenas uma ilusão, enquanto tenta moldar um futuro incerto para seu filho. “Away We Go” não oferece soluções fáceis, mas sim um olhar compassivo sobre a busca por um sentido em meio ao caos da vida moderna.









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