Marty, um roteirista irlandês afogado em álcool e bloqueio criativo em Los Angeles, tem um título promissor para seu próximo trabalho: Sete Psicopatas. O problema é que lhe faltam os psicopatas, ou pelo menos a inspiração para criá-los. Ele deseja uma história sobre amor e paz, mas o mercado de Hollywood, e talvez sua própria natureza, o empurra para a violência. Seu melhor amigo, o ator desempregado Billy, decide dar uma mãozinha, mas à sua maneira. Junto com seu parceiro Hans, um homem de fala mansa e passado enigmático, Billy mantém um negócio de sequestrar cães de luxo para depois devolvê-los e embolsar a recompensa. O esquema atinge seu ápice de absurdo quando eles levam Bonny, um adorável shih tzu que, por acaso, pertence a Charlie Costello, um gangster da velha guarda, imprevisível e singularmente apegado ao seu pequeno cão.
O que se desenrola a partir daí é menos uma trama de crime convencional e mais uma dissecação inteligente e caótica do próprio ato de contar histórias. Martin McDonagh não está interessado em seguir as regras do gênero que ele mesmo satiriza. Em vez disso, o filme se torna o filme que Marty está tentando escrever. A obra se desdobra em uma exploração da causalidade narrativa, onde a ficção que Marty tenta criar contamina e reescreve a realidade ao seu redor, e seus amigos fazem questão de contribuir com suas próprias ideias sangrentas para o roteiro. As subtramas, apresentadas como possíveis histórias para os psicopatas do título, quebram a narrativa principal com vinhetas que são ao mesmo tempo hilárias e perturbadoras, de um quaker vingativo a um assassino em série que deixa cartas de baralho.
A dinâmica entre as figuras centrais é o motor da comédia e do drama subjacente. A passividade perplexa de Colin Farrell como Marty é o contraponto perfeito para a energia maníaca e lealdade tóxica de Sam Rockwell como Billy, que talvez seja o psicopata mais fascinante de todos. Christopher Walken entrega uma performance contida e comovente como Hans, um homem cuja tranquilidade esconde uma dor profunda e uma filosofia de vida peculiar. E Woody Harrelson como Charlie Costello é mais do que um antagonista; é uma força da natureza furiosa, cuja busca pelo shih tzu perdido ancora a narrativa em uma ameaça palpável, ainda que ridícula.
No final, Sete Psicopatas e um Shih Tzu funciona como um comentário afiado sobre a obsessão de Hollywood com a violência e a dificuldade de criar algo genuíno dentro de uma indústria movida a fórmulas. O texto de McDonagh é uma torrente de diálogos afiados, onde a vulgaridade colide com observações existenciais e a comédia brota dos momentos mais inadequados. É uma obra que se questiona constantemente, expondo seus próprios artifícios enquanto leva seus personagens a um confronto final no deserto que é tão inevitável quanto autoconsciente, uma meditação sobre amizade, morte e a estranha responsabilidade que se tem ao criar um mundo, mesmo que seja apenas no papel.









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