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Filme: “O Dia em que Ele Chega” (2011), Hong Sang-soo

Seong-jun, um cineasta que abandonou a câmera, chega a Seul com o tempo a seu dispor e nenhuma agenda definida. Vagueando pelas ruas do bairro de Bukchon, ele reencontra velhos amigos, críticos e estudantes de cinema. O ponto de encontro é quase sempre o mesmo: uma mesa de bar, onde garrafas de soju lubrificam conversas…


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Seong-jun, um cineasta que abandonou a câmera, chega a Seul com o tempo a seu dispor e nenhuma agenda definida. Vagueando pelas ruas do bairro de Bukchon, ele reencontra velhos amigos, críticos e estudantes de cinema. O ponto de encontro é quase sempre o mesmo: uma mesa de bar, onde garrafas de soju lubrificam conversas sobre arrependimentos, arte e as pequenas vaidades do cotidiano. O filme de Hong Sang-soo se estabelece, a princípio, como um diário melancólico e etílico de um homem à deriva, cujos dias se preenchem com encontros casuais e a sombra de um relacionamento passado.

Contudo, a estrutura temporal da obra começa a se desdobrar de maneira peculiar. Um dia parece sangrar no outro, cenas se repetem com variações sutis, e o espectador se questiona se testemunha um único dia em loop, dias consecutivos assustadoramente similares ou a reconstrução falha de uma memória. A chegada de Seong-jun ao bar de Yejeon, uma mulher com uma semelhança notável com sua ex-namorada, intensifica essa desorientação. A narrativa opera quase como uma variação do conceito de Eterno Retorno, onde o personagem é confrontado com a possibilidade de reviver seus gestos e palavras. A cada ciclo, suas escolhas, por menores que sejam, revelam mais sobre sua incapacidade de escapar de si mesmo do que sobre o mistério do tempo.

Filmado em um preto e branco nítido que unifica a paisagem urbana e o estado de espírito dos personagens, ‘O Dia em que Ele Chega’ é um exercício de estilo que serve a um propósito claro: remover as distrações cromáticas para focar na arquitetura das relações humanas. Hong Sang-soo utiliza seus característicos zooms repentinos e longos planos-sequência não como mero artifício, mas para capturar a comédia desconfortável e a vulnerabilidade que emergem das interações sociais. A obra é uma observação precisa sobre a masculinidade, a nostalgia e a maneira como as pessoas orbitam em torno de padrões de comportamento, repetindo os mesmos erros e as mesmas conversas na esperança de um resultado diferente. É um retrato agridoce e sutilmente cômico de como o passado nunca está realmente no passado, especialmente depois de algumas doses de soju.


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