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Filme: “Alice no País das Maravilhas” (2010), Tim Burton

Tim Burton revisita o universo de Lewis Carroll em ‘Alice no País das Maravilhas’, apresentando uma Alice Liddell crescida, prestes a ser submetida a um pedido de casamento em um jardim vitoriano. Aos dezenove anos, ela se vê pressionada pelas expectativas sociais, mas um coelho apressado, munido de um relógio de bolso, a distrai para…


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Tim Burton revisita o universo de Lewis Carroll em ‘Alice no País das Maravilhas’, apresentando uma Alice Liddell crescida, prestes a ser submetida a um pedido de casamento em um jardim vitoriano. Aos dezenove anos, ela se vê pressionada pelas expectativas sociais, mas um coelho apressado, munido de um relógio de bolso, a distrai para uma queda inesperada. Aterrissando em Underland, um reino fantástico que ela vagueia ter visitado na infância, Alice descobre que o lugar está sob a tirania da Rainha Vermelha e à beira de uma rebelião, e que sua chegada é há muito aguardada, conforme previsto por um oráculo antigo.

A narrativa posiciona Alice como a figura central de uma profecia, destinada a pôr fim ao domínio da Rainha Vermelha e seu temível Jabberwocky. Contudo, a jovem questiona sua própria identidade e capacidade para tal tarefa, duvidando ser a “Alice certa” para o papel. A jornada se desenrola por cenários visualmente exuberantes, repletos de criaturas fantásticas e personagens peculiares que compõem o imaginário do diretor. O Chapeleiro Maluco, a Rainha Branca, o Gato de Cheshire e outros habitantes de Underland surgem para guiá-la ou confrontá-la, cada um adicionando camadas de estranheza e um humor muitas vezes sombrio à sua busca por autoconhecimento e propósito. O filme explora a desorientação de uma mente racional confrontada com a lógica do absurdo, onde o caos é a norma e a sanidade uma exceção.

O longa de Tim Burton não se limita a replicar a familiaridade do conto original, mas aprofunda-se na transição da infância para a vida adulta, onde Alice deve navegar entre o desejo de conformidade e o apelo de sua própria individualidade. A questão da agência pessoal se torna central: a predeterminação do oráculo realmente dita seu futuro, ou ela possui a liberdade de moldar seu próprio destino através de suas escolhas e do enfrentamento de seus medos internos? A Underland de Burton é um palco onde a fantasia serve como metáfora para a construção da própria identidade, um rito de passagem pintado com as cores vibrantes e os contornos góticos característicos do cineasta, tornando-se uma releitura que, embora visualmente grandiosa, convida à reflexão sobre a capacidade de forjar um caminho próprio, mesmo quando o mundo parece ditar o contrário.


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