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Filme: “Dois Caras Legais” (2016), Shane Black

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Situado na efervescente, porém nem sempre glamorosa, Los Angeles de 1977, ‘Dois Caras Legais’ de Shane Black nos joga em um turbilhão de crime e comédia com uma energia singular. A trama central se desenrola a partir de um aparente caso de desaparecimento que, como de praxe nos roteiros de Black, rapidamente se alça a proporções bem mais complexas e perigosas. No epicentro dessa confusão, temos Jackson Healy, um “resolvedor de problemas” com métodos pouco ortodoxos e um forte senso prático, e Holland March, um detetive particular com mais talento para o autoengano do que para a investigação, cuja vida é uma coleção de azares. A união forçada dessa dupla improvável para encontrar uma garota supostamente ligada à morte de uma estrela adulta os arrasta por um submundo que envolve o decadente showbiz, ativistas ambientais e segredos sombrios da indústria automobilística.

A verdadeira força da obra reside na química entre Russell Crowe e Ryan Gosling, que entregam atuações repletas de timing cômico e uma camada de patética vulnerabilidade. Eles são personagens falhos, presos em um emaranhado de circunstâncias que os superam, figuras que tropeçam através de eventos que estão muito além de sua compreensão inicial. Enquanto cambaleiam entre tiroteios caóticos e diálogos afiados, o filme constrói uma sátira inteligente sobre a corrupção e a superficialidade de uma era. A cidade de Los Angeles, banhada pela luz dourada e pela poluição, funciona como um pano de fundo quase orgânico para a teia de fraudes e absurdos, revelando uma metrópole que é tão sedutora quanto podre em seus alicerces. A busca pela verdade se mostra menos uma jornada linear e mais uma série de colisões fortuitas em um universo onde a lógica comum parece ter sido há muito abandonada.

Black, com sua assinatura inconfundível, orquestra uma narrativa que subverte as expectativas do gênero policial, misturando suspense com gags visuais e verbais que chegam ao limiar do surreal. A complexidade do roteiro não reside apenas em suas reviravoltas, mas na forma como cada interação e cada detalhe contribuem para um retrato maior de um sistema em desintegração. O que se percebe é que a linha entre a competência e o desastre é tênue, e que muitas vezes, a própria percepção que temos do mundo é tão moldada pelo caos quanto pela ordem aparente. ‘Dois Caras Legais’ é, em sua essência, um exercício de estilo que valida a ideia de que a jornada, por mais desastrosa que seja, é o que realmente importa, especialmente quando os destinos finais parecem mais um acidente do que uma conquista. O filme é um exemplo mordaz de como a comédia pode ser o veículo perfeito para explorar a futilidade e as contradições da vida moderna.

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Situado na efervescente, porém nem sempre glamorosa, Los Angeles de 1977, ‘Dois Caras Legais’ de Shane Black nos joga em um turbilhão de crime e comédia com uma energia singular. A trama central se desenrola a partir de um aparente caso de desaparecimento que, como de praxe nos roteiros de Black, rapidamente se alça a proporções bem mais complexas e perigosas. No epicentro dessa confusão, temos Jackson Healy, um “resolvedor de problemas” com métodos pouco ortodoxos e um forte senso prático, e Holland March, um detetive particular com mais talento para o autoengano do que para a investigação, cuja vida é uma coleção de azares. A união forçada dessa dupla improvável para encontrar uma garota supostamente ligada à morte de uma estrela adulta os arrasta por um submundo que envolve o decadente showbiz, ativistas ambientais e segredos sombrios da indústria automobilística.

A verdadeira força da obra reside na química entre Russell Crowe e Ryan Gosling, que entregam atuações repletas de timing cômico e uma camada de patética vulnerabilidade. Eles são personagens falhos, presos em um emaranhado de circunstâncias que os superam, figuras que tropeçam através de eventos que estão muito além de sua compreensão inicial. Enquanto cambaleiam entre tiroteios caóticos e diálogos afiados, o filme constrói uma sátira inteligente sobre a corrupção e a superficialidade de uma era. A cidade de Los Angeles, banhada pela luz dourada e pela poluição, funciona como um pano de fundo quase orgânico para a teia de fraudes e absurdos, revelando uma metrópole que é tão sedutora quanto podre em seus alicerces. A busca pela verdade se mostra menos uma jornada linear e mais uma série de colisões fortuitas em um universo onde a lógica comum parece ter sido há muito abandonada.

Black, com sua assinatura inconfundível, orquestra uma narrativa que subverte as expectativas do gênero policial, misturando suspense com gags visuais e verbais que chegam ao limiar do surreal. A complexidade do roteiro não reside apenas em suas reviravoltas, mas na forma como cada interação e cada detalhe contribuem para um retrato maior de um sistema em desintegração. O que se percebe é que a linha entre a competência e o desastre é tênue, e que muitas vezes, a própria percepção que temos do mundo é tão moldada pelo caos quanto pela ordem aparente. ‘Dois Caras Legais’ é, em sua essência, um exercício de estilo que valida a ideia de que a jornada, por mais desastrosa que seja, é o que realmente importa, especialmente quando os destinos finais parecem mais um acidente do que uma conquista. O filme é um exemplo mordaz de como a comédia pode ser o veículo perfeito para explorar a futilidade e as contradições da vida moderna.

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