Cultivando arte e cultura insurgentes


Filme: “Líbano” (2009), Samuel Maoz

Avatar de Hernandes Matias Junior

Siga: Twitter Instagram

No primeiro dia da Guerra do Líbano em 1982, quatro jovens soldados israelitas encontram-se no interior de um tanque de guerra, uma máquina que apelidam de “Rinoceronte”. O que se segue não é um panorama do conflito, mas uma imersão total e sufocante na experiência sensorial e psicológica destes homens. O filme de Samuel Maoz, ele próprio um veterano de combate, aprisiona o espectador junto com a tripulação, confinando a nossa visão, e a deles, quase inteiramente à mira do periscópio do tanque. O mundo exterior é uma abstração fragmentada, uma sucessão de imagens emolduradas por uma cruz de pontaria: um campo de girassóis, uma rua destruída, o rosto de civis assustados, um combatente inimigo. A guerra não é mostrada, é vislumbrada.

A obra se afasta das narrativas convencionais de combate para se concentrar na desintegração da psique sob pressão. A claustrofobia torna-se um quinto tripulante, alimentada pelo calor, pelo cheiro de suor e óleo, e pelo rangido constante do metal. A câmera, confinada ao visor do canhão ou a breves relances do interior imundo da máquina, opera como um estudo sobre a fenomenologia da percepção em combate. A realidade é mediada pela tecnologia, transformando a paisagem libanesa e os seus habitantes em dados para uma equação de vida ou morte. A tensão não reside apenas na ameaça externa, mas na erosão da cadeia de comando e da confiança mútua dentro do tanque. O comandante é hesitante, o artilheiro está paralisado pela sua primeira missão, e cada decisão carrega o peso de consequências vistas através de uma lente distorcida e impessoal.

Samuel Maoz utiliza essa limitação formal para construir uma experiência cinematográfica visceral e profundamente física. O design de som é crucial, com os ruídos abafados do exterior contrastando com a cacofonia de vozes e mecanismos dentro da cabine de aço. Não há espaço para contextualização política ampla ou para o desenvolvimento de arcos de personagem tradicionais. O filme documenta a transformação de homens em extensões de uma máquina de guerra, um processo que ocorre não em campos de batalha abertos, mas no espaço confinado de suas próprias mentes, projetadas para fora através do visor de um tanque. É um cinema que explora o impacto da guerra a partir do seu núcleo mais íntimo e isolado.

Avatar de Hernandes Matias Junior

Siga: Twitter Instagram

No primeiro dia da Guerra do Líbano em 1982, quatro jovens soldados israelitas encontram-se no interior de um tanque de guerra, uma máquina que apelidam de “Rinoceronte”. O que se segue não é um panorama do conflito, mas uma imersão total e sufocante na experiência sensorial e psicológica destes homens. O filme de Samuel Maoz, ele próprio um veterano de combate, aprisiona o espectador junto com a tripulação, confinando a nossa visão, e a deles, quase inteiramente à mira do periscópio do tanque. O mundo exterior é uma abstração fragmentada, uma sucessão de imagens emolduradas por uma cruz de pontaria: um campo de girassóis, uma rua destruída, o rosto de civis assustados, um combatente inimigo. A guerra não é mostrada, é vislumbrada.

A obra se afasta das narrativas convencionais de combate para se concentrar na desintegração da psique sob pressão. A claustrofobia torna-se um quinto tripulante, alimentada pelo calor, pelo cheiro de suor e óleo, e pelo rangido constante do metal. A câmera, confinada ao visor do canhão ou a breves relances do interior imundo da máquina, opera como um estudo sobre a fenomenologia da percepção em combate. A realidade é mediada pela tecnologia, transformando a paisagem libanesa e os seus habitantes em dados para uma equação de vida ou morte. A tensão não reside apenas na ameaça externa, mas na erosão da cadeia de comando e da confiança mútua dentro do tanque. O comandante é hesitante, o artilheiro está paralisado pela sua primeira missão, e cada decisão carrega o peso de consequências vistas através de uma lente distorcida e impessoal.

Samuel Maoz utiliza essa limitação formal para construir uma experiência cinematográfica visceral e profundamente física. O design de som é crucial, com os ruídos abafados do exterior contrastando com a cacofonia de vozes e mecanismos dentro da cabine de aço. Não há espaço para contextualização política ampla ou para o desenvolvimento de arcos de personagem tradicionais. O filme documenta a transformação de homens em extensões de uma máquina de guerra, um processo que ocorre não em campos de batalha abertos, mas no espaço confinado de suas próprias mentes, projetadas para fora através do visor de um tanque. É um cinema que explora o impacto da guerra a partir do seu núcleo mais íntimo e isolado.

Deixe uma resposta

Comments (

0

)

Descubra mais sobre Românticos Radicais

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading