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Filme: “Everything’s Gonna Be Great” (1999), Ömer Vargı

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Num canto de Istambul onde os sonhos são baratos e a realidade cobra caro, vive Altan, um homem cuja ambição é superada apenas pelo seu talento para a autossabotagem. Em ‘Everything’s Gonna Be Great’, o diretor Ömer Vargı nos apresenta este pequeno vigarista, interpretado com uma energia caótica e cativante por Cem Yılmaz, que acaba de roubar uma quantia considerável de dinheiro do seu perigoso ex-chefe. O seu plano de fuga o leva a um encontro fortuito com o seu irmão mais velho, Nuri, um homem metódico e resignado à monotonia de uma vida sem surpresas, vivido com uma contida melancolia por Mazhar Alanson. A partir deste reencontro, o que se desenrola não é um simples plano de fuga, mas um improvisado road movie rumo a Bodrum, alimentado pela promessa de Altan de que, desta vez, tudo vai dar certo.

A viagem torna-se o palco para a colisão de duas filosofias de vida opostas, encapsuladas na dinâmica dos dois irmãos. De um lado, a impulsividade de Altan, que acredita que a próxima esquina sempre reserva a grande virada; do outro, o pragmatismo cansado de Nuri, que já viu os planos do irmão desmoronarem vezes demais. A comédia do filme de Ömer Vargı surge das sucessivas falhas, dos desvios de percurso e das personalidades excêntricas que cruzam o seu caminho. Contudo, sob a superfície do humor, a obra investiga a anatomia do otimismo e a natureza dos laços familiares, testados pela decepção constante mas mantidos por uma lealdade tácita e profunda. O cenário da Turquia do final dos anos 90 serve como um pano de fundo sutil, um país em si mesmo numa encruzilhada, a perseguir a sua própria versão de um futuro promissor.

Altan encarna uma espécie de otimismo cego, quase uma escolha existencial. A cada desastre, a cada plano que desmorona, a sua insistência na promessa de um futuro brilhante funciona como um motor. Ele parece encontrar um propósito não no sucesso final, que permanece sempre elusivo, mas no próprio ato de perseguir a próxima grande ideia. A sua frase-lema, que dá título ao filme, transforma-se de uma afirmação ingênua numa espécie de mantra desafiador contra a entropia da vida. Nuri, por sua vez, é arrastado para esta órbita, não por acreditar nas promessas, mas talvez por uma necessidade latente de sentir, nem que seja por um breve momento, a vertigem de apostar contra todas as probabilidades.

O filme se estabelece no cinema turco moderno não por oferecer uma catarse grandiosa, mas por sua honestidade agridoce. A direção de Vargı é precisa, permitindo que as atuações de Yılmaz e Alanson respirem e definam o tom, oscilando entre o hilário e o comovente sem nunca cair no sentimentalismo. ‘Everything’s Gonna Be Great’ é uma análise astuta sobre a mecânica da esperança, especialmente quando ela parece irracional. A questão que permanece não é se as coisas vão de fato ficar ótimas para os irmãos, mas sim o que significa continuar a acreditar que elas podem, mesmo quando todas as evidências apontam para o contrário. É uma crônica sobre a persistência humana, não na busca da vitória, mas na simples recusa em aceitar a derrota.

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Num canto de Istambul onde os sonhos são baratos e a realidade cobra caro, vive Altan, um homem cuja ambição é superada apenas pelo seu talento para a autossabotagem. Em ‘Everything’s Gonna Be Great’, o diretor Ömer Vargı nos apresenta este pequeno vigarista, interpretado com uma energia caótica e cativante por Cem Yılmaz, que acaba de roubar uma quantia considerável de dinheiro do seu perigoso ex-chefe. O seu plano de fuga o leva a um encontro fortuito com o seu irmão mais velho, Nuri, um homem metódico e resignado à monotonia de uma vida sem surpresas, vivido com uma contida melancolia por Mazhar Alanson. A partir deste reencontro, o que se desenrola não é um simples plano de fuga, mas um improvisado road movie rumo a Bodrum, alimentado pela promessa de Altan de que, desta vez, tudo vai dar certo.

A viagem torna-se o palco para a colisão de duas filosofias de vida opostas, encapsuladas na dinâmica dos dois irmãos. De um lado, a impulsividade de Altan, que acredita que a próxima esquina sempre reserva a grande virada; do outro, o pragmatismo cansado de Nuri, que já viu os planos do irmão desmoronarem vezes demais. A comédia do filme de Ömer Vargı surge das sucessivas falhas, dos desvios de percurso e das personalidades excêntricas que cruzam o seu caminho. Contudo, sob a superfície do humor, a obra investiga a anatomia do otimismo e a natureza dos laços familiares, testados pela decepção constante mas mantidos por uma lealdade tácita e profunda. O cenário da Turquia do final dos anos 90 serve como um pano de fundo sutil, um país em si mesmo numa encruzilhada, a perseguir a sua própria versão de um futuro promissor.

Altan encarna uma espécie de otimismo cego, quase uma escolha existencial. A cada desastre, a cada plano que desmorona, a sua insistência na promessa de um futuro brilhante funciona como um motor. Ele parece encontrar um propósito não no sucesso final, que permanece sempre elusivo, mas no próprio ato de perseguir a próxima grande ideia. A sua frase-lema, que dá título ao filme, transforma-se de uma afirmação ingênua numa espécie de mantra desafiador contra a entropia da vida. Nuri, por sua vez, é arrastado para esta órbita, não por acreditar nas promessas, mas talvez por uma necessidade latente de sentir, nem que seja por um breve momento, a vertigem de apostar contra todas as probabilidades.

O filme se estabelece no cinema turco moderno não por oferecer uma catarse grandiosa, mas por sua honestidade agridoce. A direção de Vargı é precisa, permitindo que as atuações de Yılmaz e Alanson respirem e definam o tom, oscilando entre o hilário e o comovente sem nunca cair no sentimentalismo. ‘Everything’s Gonna Be Great’ é uma análise astuta sobre a mecânica da esperança, especialmente quando ela parece irracional. A questão que permanece não é se as coisas vão de fato ficar ótimas para os irmãos, mas sim o que significa continuar a acreditar que elas podem, mesmo quando todas as evidências apontam para o contrário. É uma crônica sobre a persistência humana, não na busca da vitória, mas na simples recusa em aceitar a derrota.

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