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Filme: “Gabbeh” (1996), Mohsen Makhmalbaf

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Num recanto remoto do Irão, um casal de idosos lava um artefato de lã colorida nas águas de um rio. Deste objeto, encharcado de água e memória, uma jovem emerge como uma aparição. Ela é Gabbeh, a figura central do desenho, e sua história, tecida fio a fio, precisa ser contada antes que as cores desbotem. O filme de Mohsen Makhmalbaf se desdobra a partir deste ponto de partida fantástico, mergulhando o espectador em um universo onde a fronteira entre a arte e a vida é completamente permeável. A narrativa de Gabbeh é a de um amor proibido, uma crônica de seu desejo por um misterioso cavaleiro que a segue à distância, esperando pelo sinal de seu pai para que possam finalmente se unir.

A história se desenrola no ritmo da vida nômade da tribo Qashqai, em meio a paisagens deslumbrantes que são, elas mesmas, personagens da trama. Makhmalbaf utiliza a cor não como um adorno estético, mas como um sistema de linguagem primordial. Através dos ensinamentos de seu tio, Gabbeh aprende que o azul pode significar a solidão, o vermelho o perigo ou a paixão, e o branco a paz. Cada cena é uma composição cromática que comunica diretamente os estados emocionais da protagonista e os eventos de sua jornada. A estrutura do filme acompanha a lógica de uma memória afetiva, saltando no tempo e no espaço, guiada mais pela associação de cores e sentimentos do que por uma cronologia linear.

Mais do que uma simples fábula romântica, a obra funciona como um ensaio visual sobre a natureza da própria narração. No universo do filme, o objeto artesanal não é um mero registro de uma história; ele é a própria manifestação da memória e do sentimento, uma entidade que contém a consciência de sua criadora. Makhmalbaf abandona as estruturas convencionais para investigar como a arte popular funciona como um arquivo vivo de emoções, transmitindo legados e desejos através de gerações. O longa opera em uma fronteira fluida entre o documentário etnográfico e o conto mítico, observando com atenção os rituais e o cotidiano dos Qashqai ao mesmo tempo em que os infunde com uma dimensão poética e universal.

Gabbeh é uma exploração cinematográfica sobre como a cor, a paisagem e a canção se fundem para criar significado, moldando a identidade de um povo e a trajetória de um indivíduo. A abordagem de Makhmalbaf resulta em uma experiência sensorial, onde a compreensão dos eventos está atrelada à percepção das texturas e dos tons vibrantes que preenchem a tela. É um cinema que celebra a forma como as histórias são tecidas, tingidas e preservadas, não em livros ou monumentos, mas na própria matéria da vida cotidiana.

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Num recanto remoto do Irão, um casal de idosos lava um artefato de lã colorida nas águas de um rio. Deste objeto, encharcado de água e memória, uma jovem emerge como uma aparição. Ela é Gabbeh, a figura central do desenho, e sua história, tecida fio a fio, precisa ser contada antes que as cores desbotem. O filme de Mohsen Makhmalbaf se desdobra a partir deste ponto de partida fantástico, mergulhando o espectador em um universo onde a fronteira entre a arte e a vida é completamente permeável. A narrativa de Gabbeh é a de um amor proibido, uma crônica de seu desejo por um misterioso cavaleiro que a segue à distância, esperando pelo sinal de seu pai para que possam finalmente se unir.

A história se desenrola no ritmo da vida nômade da tribo Qashqai, em meio a paisagens deslumbrantes que são, elas mesmas, personagens da trama. Makhmalbaf utiliza a cor não como um adorno estético, mas como um sistema de linguagem primordial. Através dos ensinamentos de seu tio, Gabbeh aprende que o azul pode significar a solidão, o vermelho o perigo ou a paixão, e o branco a paz. Cada cena é uma composição cromática que comunica diretamente os estados emocionais da protagonista e os eventos de sua jornada. A estrutura do filme acompanha a lógica de uma memória afetiva, saltando no tempo e no espaço, guiada mais pela associação de cores e sentimentos do que por uma cronologia linear.

Mais do que uma simples fábula romântica, a obra funciona como um ensaio visual sobre a natureza da própria narração. No universo do filme, o objeto artesanal não é um mero registro de uma história; ele é a própria manifestação da memória e do sentimento, uma entidade que contém a consciência de sua criadora. Makhmalbaf abandona as estruturas convencionais para investigar como a arte popular funciona como um arquivo vivo de emoções, transmitindo legados e desejos através de gerações. O longa opera em uma fronteira fluida entre o documentário etnográfico e o conto mítico, observando com atenção os rituais e o cotidiano dos Qashqai ao mesmo tempo em que os infunde com uma dimensão poética e universal.

Gabbeh é uma exploração cinematográfica sobre como a cor, a paisagem e a canção se fundem para criar significado, moldando a identidade de um povo e a trajetória de um indivíduo. A abordagem de Makhmalbaf resulta em uma experiência sensorial, onde a compreensão dos eventos está atrelada à percepção das texturas e dos tons vibrantes que preenchem a tela. É um cinema que celebra a forma como as histórias são tecidas, tingidas e preservadas, não em livros ou monumentos, mas na própria matéria da vida cotidiana.

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