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Os brasileiros anti-populares por natureza

Os anti-populares de plantão, com suas alergias à popularidade, muitas vezes parecem personagens saídos de uma comédia de costumes

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No glorioso cenário tropical, os brasileiros têm uma habilidade única de rejeitar tudo o que é popular. Se uma banda, peça de roupa ou estilo de móvel alcança fama, pode apostar que uma turba de detratores se forma instantaneamente. “Ah, eles eram tão bons antes, quando ninguém os conhecia”, proclamam, como se o sucesso fosse um crime hediondo.

E, naturalmente, surgem os guardiões da impopularidade, aqueles que zelam para que o que amam permaneça obscuro. De repente, aquele cantor indie que você descobriu em uma noite de insônia se torna uma lenda inacessível assim que ele se torna popular. “Ele vendeu sua alma para a indústria”, afirmam com um olhar melancólico para nosso próprio CD autografado.

Esses anti-populares se assemelham aos ricos que se revoltam quando os pobres conseguem acesso ao aeroporto. A elite, que costumava desfrutar de aeroportos quase privados, agora fica com a pulga atrás da orelha ao dividir o espaço aéreo com a plebe.

As classes econômicas, outrora um lugar distante e obscuro, agora se tornaram parte da experiência de viagem de todos. Comovente, não é? Mas, para a elite, a consternação é real. Eles olham com desdém para os mortais da classe econômica, como se o fato de usarem os mesmos banheiros e passarem pelos mesmos procedimentos de segurança fosse uma afronta à sua superioridade.

Os anti-populares de plantão, com suas alergias à popularidade, muitas vezes parecem personagens saídos de uma comédia de costumes. Eles perdem a chance de desfrutar de algo que, de fato, é bom, simplesmente porque todos os outros também estão apreciando. Como se o mero fato de algo ser popular devesse automaticamente torná-lo inferior. É como recusar um prato delicioso apenas porque muitas outras pessoas estão saboreando a mesma refeição. Um verdadeiro absurdo.

Eles esquecem que o sucesso de algo frequentemente reflete sua qualidade. A popularidade não é um sinal de conformismo, mas sim um reconhecimento coletivo do valor de algo.

Além disso, sua busca implacável por obscuridade pode parecer mais um sinal de elitismo do que de bom gosto. Eles se esforçam para ser diferentes a qualquer custo, mas acabam caindo em uma armadilha: a da exclusividade artificial. O que é realmente mais ridículo do que rejeitar algo simplesmente porque muitas pessoas o apreciam é rejeitar algo para manter uma fachada de singularidade a todo custo.

Talvez seja o momento de reconhecer que a popularidade não é inimiga do bom gosto, mas sim uma celebração do que é apreciado por muitos. Enquanto rimos daqueles que odeiam o popular, podemos nos lembrar de que a verdadeira singularidade reside em nossa capacidade de apreciar a diversidade do que a cultura popular tem a oferecer.

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No glorioso cenário tropical, os brasileiros têm uma habilidade única de rejeitar tudo o que é popular. Se uma banda, peça de roupa ou estilo de móvel alcança fama, pode apostar que uma turba de detratores se forma instantaneamente. “Ah, eles eram tão bons antes, quando ninguém os conhecia”, proclamam, como se o sucesso fosse um crime hediondo.

E, naturalmente, surgem os guardiões da impopularidade, aqueles que zelam para que o que amam permaneça obscuro. De repente, aquele cantor indie que você descobriu em uma noite de insônia se torna uma lenda inacessível assim que ele se torna popular. “Ele vendeu sua alma para a indústria”, afirmam com um olhar melancólico para nosso próprio CD autografado.

Esses anti-populares se assemelham aos ricos que se revoltam quando os pobres conseguem acesso ao aeroporto. A elite, que costumava desfrutar de aeroportos quase privados, agora fica com a pulga atrás da orelha ao dividir o espaço aéreo com a plebe.

As classes econômicas, outrora um lugar distante e obscuro, agora se tornaram parte da experiência de viagem de todos. Comovente, não é? Mas, para a elite, a consternação é real. Eles olham com desdém para os mortais da classe econômica, como se o fato de usarem os mesmos banheiros e passarem pelos mesmos procedimentos de segurança fosse uma afronta à sua superioridade.

Os anti-populares de plantão, com suas alergias à popularidade, muitas vezes parecem personagens saídos de uma comédia de costumes. Eles perdem a chance de desfrutar de algo que, de fato, é bom, simplesmente porque todos os outros também estão apreciando. Como se o mero fato de algo ser popular devesse automaticamente torná-lo inferior. É como recusar um prato delicioso apenas porque muitas outras pessoas estão saboreando a mesma refeição. Um verdadeiro absurdo.

Eles esquecem que o sucesso de algo frequentemente reflete sua qualidade. A popularidade não é um sinal de conformismo, mas sim um reconhecimento coletivo do valor de algo.

Além disso, sua busca implacável por obscuridade pode parecer mais um sinal de elitismo do que de bom gosto. Eles se esforçam para ser diferentes a qualquer custo, mas acabam caindo em uma armadilha: a da exclusividade artificial. O que é realmente mais ridículo do que rejeitar algo simplesmente porque muitas pessoas o apreciam é rejeitar algo para manter uma fachada de singularidade a todo custo.

Talvez seja o momento de reconhecer que a popularidade não é inimiga do bom gosto, mas sim uma celebração do que é apreciado por muitos. Enquanto rimos daqueles que odeiam o popular, podemos nos lembrar de que a verdadeira singularidade reside em nossa capacidade de apreciar a diversidade do que a cultura popular tem a oferecer.

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Comments (

1

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  1. Escritapress

    Sejamos populares da boa qualidade

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